Ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Antônio Elcio Franco Filho

CPI da Covid põe coronel Elcio Franco no bico do corvo

O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Elcio Franco, deverá ser reconvocado pela CPI da Covid diante das evidências colhidas pelos senadores. O militar é braço direito do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Considerado “ex-vice-ministro” da Saúde, Elcio Franco, foi declinado nos depoimentos de Roberto Dias (7/7), ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, e de Francieli Fantinati (8/7), ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.

Élcio Franco influenciou para que o Brasil aderisse a consórcio de vacinas com cobertura mínima, disse a ex-coordenadora do PNI, Francieli Fantinati.

Até agora, Elcio Franco é o “nome” da CPI. Além da patente militar, ele é da cozinha do presidente Jair Bolsonaro. O coronel foi nomeado assessor da Casa Civil.

Será que a comissão de investigação teria colhões para dar voz de prisão de um homem tão próximo do presidente da República? A conferir.

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Quem é Elcio Franco

O presidente Jair Bolsonaro nomeou Elcio Franco como secretário-executivo do ministério da Saúde em 4 de julho de 2020. Ele entrou no lugar de Eduardo Pazuello, que assumiu interinamente o comando do ministério, substituindo o ex-ministro Nelson Teich. Desde o mês anterior, o coronel já era secretário-executivo adjunto.

Oficial do Exército por 39 anos, foi para a reserva em março de 2019. Na Força, se tornou mestre em operações militares e ciências militares e atuou nas operações de segurança e defesa dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Também ocupou o posto de subcomandante e chefe do Estado-Maior da Força de Pacificação no Complexo de Favelas da Maré, em 2014, no Rio. De 2017 a fevereiro de 2019, teve cargo de assessor no ministério da Defesa.

Em sua página no LinkedIn (rede social de contatos profissionais), descreve sua trajetória da seguinte forma: “Exerci funções inerentes a um Oficial do Exército e Gestor Público, com formação acadêmica conciliada à militar e às experiências da caserna: liderança-docência-gestão financeira-patrimonial-de segurança-recursos humanos-projetos-contratos-aspectos jurídicos-cenários prospectivos-planejamento estratégico etc.”.

Em abril de 2019 – seu primeiro mês como reservista -, foi nomeado assessor e subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil do governo do Estado de Roraima, cargo que ocupou por menos de dois meses. Depois, foi posto no cargo de secretário de Saúde da gestão estadual, onde permaneceu por três meses.

A experiência ocorreu sob o comando do governador Antônio Denarium (PSC). Eleito em 2018 com o apoio do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (então no PSL, atualmente sem partido), o político já assumiu o cargo em 10 de dezembro do mesmo ano, após ter sido nomeado interventor federal pelo então presidente Michel Temer (MDB), após afastamento da então governadora, Suely Campos (PP).

O ex-secretário-executivo da Saúde coronel Élcio Franco. Na ocasião desta foto, ele usava um punho com uma faca vermelha ao invés de uma faca na caveira em sua lapela / Agência Brasil

Durante a intervenção federal em Roraima, um dos homens de confiança de Denarium nas Forças Armadas para a gestão pública era o futuro chefe de Franco, o general da ativa Eduardo Pazuello. O então futuro ministro da Saúde ocupou o cargo de secretário da Fazenda do governo de Roraima de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019.

As passagens de Franco e Pazuello no governo Denarium em Roraima foram separadas, por tanto, por um intervalo de dois meses. Mesmo assim, como o general seguiu atuando como consultor da prefeitura de Boa Vista (RR) nos meses seguintes à sua saída da secretaria estadual, os dois se aproximaram. Fizeram parte do que, depois, já no Ministério da Saúde, foi chamada de a “turma de Roraima”. Enquanto atuavam no ministério, o governo federal brasileiro distribuiu 100 mil unidades de cloroquina para indígenas em Roraima.

O grupo de ex-integrantes do governo estadual roraimense é composto ainda, entre outros, pelo marqueteiro Marcos Eraldo Arnoud Marques, conhecido como Markinhos Show, e pelo ex-deputado federal e nomeado secretário de Saúde de Roraima após passagem pelo governo federal, Airton Cascavel (PPS).

Na gestão de Pazuello na Saúde, o coronel Franco estava “em casa”, não só pela presença dos antigos colegas com quem trabalhou no poder público no norte do Brasil, mas também pela presença de oficiais das Forças Armadas. Um dia após sua nomeação, em 5 de junho de 2020, o jornal “Correio Braziliense” mostrou que já eram 25 os militares nomeados no Ministério da Saúde desde a saída do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, meses antes.

Primeira convocação na CPI

O coronel da reserva do Exército Antônio Elcio Franco, que ocupou o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello de junho de 2020 a março de 2021, foi responsável pelas negociações com fabricantes para a compra de vacinas contra a covid-19.

Convocado para depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado nesta quarta-feira (9/6), o militar teve uma gestão marcada pela truculência e pela falta de diálogo. Além do insucesso na negociação com a empresa farmacêutica Pfizer, acumulou episódios simbólicos, como o destrato a um garçom de seu gabinete e o uso de um broche com uma “faca na caveira” em seu terno.

Sua convocação foi solicitada pelos senadores Alessandro Vieira (Rede-SE), Eduardo Girão (Podemos-CE), Humberto Costa (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Rogério Carvalho (PT-SE).

Veja como foi a sessão da CPI [08/07/2021]