Considerado “pé quente”, Lula pede voto para candidato de esquerda na Colômbia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado um “pé quente” pela esquerda e pela social-democracia internacionais. E é com essa fama que o petista declarou apoio ao candidato do Pacto Histórico, Gustavo Petro, que disputa a eleição presidencial da Colômbia neste domingo (29/05).

Na sexta-feira à noite, em São Paulo, Lula liderou um jogral com militantes dos movimentos sociais para pedir voto dos colombianos em Petro.

Lula pediu ao “povo trabalhador, estudantes, movimentos sociais e defensores da democracia” que votem em Petro para presidente.

– Para que a partir de outubro deste ano a Colômbia e o Brasil possam se unir junto a outros países da América do Sul e construir uma América do Sul forte com integração política, econômica e cultural, para que tenhamos um bloco muito forte para negociar com os outros blocos do mundo inteiro – disseram Lula e os movimentos sociais.

– Gustavo Petro é a certeza de que a Colômbia será democrática depois das eleições. Um abraço e até a vitória! – concluíram.

O candidato colombiano agradeceu a manifestação de apoio de Lula, pelas redes sociais.

– Obrigado, Lula, futuro presidente do Brasil, pelo apoio. Espero que possamos construir uma América Latina unida em produção, justiça social e conhecimento – disse Petro, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

O ex-presidente Lula deu sorte em suas últimas manifestações de apoio para Olaf Scholz, na Alemanha; Alberto Fernández, na Argentina; Gabriel Boric, no Chile; Pedro Castillo, no Peru; Emmanuel Macron, França; Michelle O’Neill, Irlanda do Norte; dentre outras.

O presidente cessante Jair Bolsonaro não pode dizer o mesmo, pois ele é conhecido como “Mick Jagger” na arena política mundial – numa ironia que envolve futebol e o mito que o cantor britânico foi um pé frio nos estádios durante a Copa de 2014.

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Quem é Gustavo Petro

Em 19 de abril de 1960, ele nasceu. Em 19 de abril de 1970, quando tinha apenas 10 anos, ele conta que se lembra de passar a noite em frente ao rádio somando os resultados das eleições e que, quando foi dormir, o general Gustavo Rojas Pinilla estava ganhando. E o terceiro 19 de abril é o nome do movimento guerrilheiro que Gustavo Petro, aos 17 anos, e quando cursava o primeiro semestre na Universidade Externado, decidiu aderir.

Gustavo Petro Urrego nasceu em Ciénaga de Oro, município de Córdoba que faz fronteira com Sahagún na fronteira com Sucre. seu bisavô, Francesco Petro, havia desembarcado perto dessas terras fugindo da fome que sofriam no sul da Itália, após a unificação em 1870.

Seu pai, Gustavo Petro Sierra, natural de Cereté, professor e aluno laureado, ensinou-lhe o amor pelos livros. Sua mãe, Clara Urrego, professora de Gachetá, Cundinamarca, e filha de um líder liberal, foi a primeira a falar com ele sobre a violência liberal. Os dois conheceram-se numa conferência em Sincelejo e foi “amor à primeira vista”.