Sergio Moro que fez do fetiche do combate à corrupção sua bandeira política agora é suspeito de cometer corrupção.

Chegou o dia “D” e a hora “H” de Sergio Moro

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Depois do pedido da quebra de seu sigilo bancário, pelo TCU, o suspeito ex-juiz Sergio Moro (Podemos) prometeu para esta sexta-feira (28/01) abrir a caixa preta dele para mostrar quanto ganhou na Álvarez & Marsal. Ou seja, chegou o dia “D” e a hora “H” do moço da finada Lava Jato.

O TCU busca saber quanto Sergi Moro ganhou no escritório americano Alvarez & Marshal, que promove a recuperação judicial de empreiteiras penalizadas pela Lava Jato.

Dentre as clientes da Alvarez & Marshal, firma que Moro virou sócio-diretor, após deixar a toga, está a Odebrecht.

O Tribunal de Contas da União suspeita que Moro praticou revolving door — quando um servidor público migra para o setor privado na mesma área em que atuava, levando consigo benefícios à empresa, como acesso a informações privilegiadas — e lawfare, uso estratégico do sistema jurídico em benefício próprio.

Devido à inevitabilidade da quebra de seus sigilos, Moro aí concordou em abrir quanto recebeu na consultoria.

“Apesar da natimorta CPI e das ilegalidades do processo no TCU, eu, por consideração aos brasileiros e em nome da transparência que deve pautar a política, na sexta divulgarei meus rendimentos na empresa em que trabalhei”, disse.

Resumo da ópera: Sergio Moro que fez do fetiche do combate à corrupção sua bandeira política agora é suspeito de cometer corrupção.

Moro recebeu R$ 200 mil por parecer contra a Vale, a favor de bilionário israelense

O ex-juiz Sergio Moro recebeu cerca de R$ 200 mil para assinar um parecer de 54 páginas em resposta a uma consulta do bilionário israelense Beny Steinmetz. Esta também seria mais uma ocorrência de conflito de interesse na atuação do pré-candidato a presidente pelo Podemos.

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Steinmetz está envolvido em um litigio com a mineradora sobre um contrato exploração de uma mina na Guiné quando fechou um negócio com uma de suas empresas em 2010.

No parecer, Sergio Moro sustenta a tese de que a Vale teria ocultado os riscos envolvidos no negócio. Steinmetz tenta provar que a mineradora deu informações falsas ao tribunal arbitral em Londres em que a empresa brasileira conseguiu uma sentença favorável de US$ 2 bilhões contra o israelense.

A Vale comprou de Steinmetz 51% da BSG Resources (BSGR), que possui licenças de exploração de minério de ferro em uma transação de US$ 2,5 bilhões. A Vale pagou US$ 500 milhões antecipadamente ao empresário israelense.

Um ano após o negócio, o presidente eleito da Guiné, Alpha Condé, revisou todas as concessões de exploração de minérios de governos anteriores. A investigação no país africano encontrou indícios de suborno na concessão das minas a Steinmetz, em 2008, quando o país era governado por Lansana Conté, um militar que deu um golpe de estado que durou 24 anos.

Com isso, a Vale buscou reparação na corte arbitral de Londres, que deu razão a mineradora brasileira. Menos de um mês após a emissão do parecer, Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal que atua na recuperação judicial de empresas atingidas pela falecida operação Lava Jato.