Bolsonaro usa truculência e tragédia da Covid-19 para ‘passar a boiada’ na Câmara, denuncia líder do PT

O líder do PT na Câmara, Elvino Bohn Gass (RS), denunciou que em meio à tragédia com mais de meio milhão de mortos pela Covid-19, em consequência da política oficial de “assassinato em massa” promovida por Jair Bolsonaro, o presidente da República e a base bolsonarista têm promovido no Parlamento um movimento assustador de retirada de direitos e ataques aos interesses nacionais.

“O governo se aproveita do momento excepcional que é a tragédia sanitária para implantar um regime de exceção, com leis ditatoriais e a perversão do espírito que rege a Constituição. Como Mussolini, Bolsonaro tenta se apoderar das instituições via “recursos legais” (orçamento paralelo), acordões e brechas da lei. E leva o País ao caos social, ambiental e econômico”, escreveu Bohn Gass, na revista eletrônica Focus Brasil, da Fundação Perseu Abramo.

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Segundo Bohn Gass, na Câmara dos Deputados, criou-se uma espécie de “fazendão” e a instituição virou “puxadinho do Planalto”, com alteração do Regimento para calar a oposição e “passar a boiada”. Para ele, é um “cenário de horror patrocinado pela base bolsonarista ampliada com métodos não republicanos”.

“O que ocorre na Câmara é reflexo do projeto bolsonarista de país, com métodos e objetivos idênticos: autoritarismo, escárnio, deboche, estímulo ao uso da violência, impunidade e mordaça”, escreveu.

Leia a íntegra do artigo:

“A boiada passa na Câmara

Por Elvino Bohn Gass (*)

Num momento trágico da vida nacional, quando meio milhão de pessoas já morreram por Covid-19 em razão da incompetência e da política oficial de assassinato em massa promovida por Jair Bolsonaro, ocorre um movimento assustador de retirada de direitos e ataques aos interesses nacionais na Câmara dos Deputados.

O governo se aproveita do momento excepcional que é a tragédia sanitária para implantar um regime de exceção, com leis ditatoriais e a perversão do espírito que rege a Constituição. Como Mussolini, Bolsonaro tenta se apoderar das instituições via “recursos legais” (orçamento paralelo), acordões e brechas da lei. E leva o País ao caos social, ambiental e econômico.

Na Câmara dos Deputados, criou-se uma espécie de “fazendão”. A Casa virou puxadinho do Planalto. Alterou-se o Regimento para calar a oposição. Projetos de lei controversos, que dormitavam nos escaninhos, aparecem de repente, do nada. São submetidos a votações ligeiras – antes mesmo que tenham sido instaladas as comissões que deveriam debatê-los. Na defesa de interesses obscuros, o rolo compressor bolsonarista toma decisões levianas e sem qualquer preocupação com o futuro político e econômico do País.

É um cenário de horror patrocinado pela base bolsonarista ampliada com métodos não republicanos. Instala-se Comissão Especial do voto impresso, fere-se de morte a legislação ambiental, aprova-se a antinacional privatização da Eletrobras e dá-se admissibilidade à Reforma Administrativa, entre outras matérias danosas à sociedade brasileira.

A mudança no Regimento alterou ritos e procedimentos clássicos que garantiram, ao longo da história, os direitos das minorias, como ocorre em qualquer parlamento democrático do mundo. As alterações amordaçam a minoria e colocam em xeque a base da democracia, que é o equilíbrio entre os três poderes.

O novo regimento sepultou o sagrado direito das oposições em qualquer plenário: o exercício à divergência. Tem-se, então, uma farsa legislativa, sem que a imprensa questione os ritos agora forjados em nome de interesses antinacionais e antipopulares.

Eliminou-se o principal espaço de discussão e do contraditório, transformando a aprovação dos projetos do governo, praticamente, num “rito sumário”. E assim, impõe-se uma agenda antidemocrática, obrigando que o Parlamento vote, em grave prejuízo à democracia, matérias polêmicas, sobre as quais não há consenso.

Chegou-se ao cúmulo de aprovar três MPs, não consensuais, em uma única sessão, sendo que duas sequer constavam da pauta previamente apresentada. O que ocorre na Câmara é reflexo do projeto bolsonarista de país, com métodos e objetivos idênticos: autoritarismo, escárnio, deboche, estímulo ao uso da violência, impunidade e mordaça.

(*) Deputado federal (PT-RS) e líder do partido na Câmara dos Deputados”