Presidente Bolsonaro 'quer' ser preso pelo ministro do STF Alexandre de Moraes para dar o autogolpe; ele copia as pegadas de Jânio Quadros, que renunciou há 60 anos

Bolsonaro ‘quer’ ser preso pelo ministro do STF Alexandre de Moraes visando ‘autogolpe’ a exemplo de Jânio Quadros

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O presidente Jair Bolsonaro ampliou sua escalada provocativa objetivando ser preso pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do inquérito das milícias digitais (fake news) na corte.

Sem voto e sem apoio popular, Bolsonaro derrete em público e –se a eleição fosse hoje– não teria chance alguma de ir para o segundo turno na disputa pela reeleição. Por isso o presidente da República busca uma “saída honrosa” do cargo para evitar o vexame da acachapante derrota nas urnas que se avizinha.

O mandatário começou a atacar as urnas eletrônicas –sistema que o elegeu em 2018 e outras vezes como deputado– exatamente quando as pesquisas de intenção de voto apontaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida pelo Palácio do Planalto em 2022.

Bolsonaro provoca porque ‘quer’ ser preso pelo “Xandão”. É o seu novo fetiche. Acha que o povo irá buscá-lo na prisão para se perpetuar no governo. Se o Supremo pisar na casca de banana, o presidente acredita que consegue fazer disso uma nova “facada” nas eleições de 2022. É um jogo parecidíssimo como aquele de Jânio Quadros, em 1961.

Do ponto de vista político, Jair Bolsonaro já renunciou ao mandato. Agora ele se debate para definir como ‘sair de cena’ e como ‘voltar à cena’. O diabo é que nenhuma das das quatro opções depende exclusivamente dele: 1- ser preso pelo STF; 2- cassado pelo TSE; 3- sofrer impeachment no Congresso; e 4- dar um autogolpe.

O próprio Bolsonaro desenhou para si três cenários possíveis durante um encontro evangélico no sábado (28/08), em Goiânia (GO): ‘estar preso, ser morto ou a vitória’.

Quem era Jânio Quadros e o que ele fez

Jânio Quadro renunciou ao mandato em 25 de agosto de 1961, há 60 anos, portanto. Ele conquistou grande parte do eleitorado de antanho prometendo combater a corrupção e usando uma expressão por ele criada: “varrer” toda a sujeira da administração pública. Por isso o seu símbolo de campanha era uma vassoura.

Na época, eleito com a promessa de revolucionar o País, Jânio tinha a necessidade de criar factoides diários para manter-se na impressa. Ele proibiu o maiô e o biquíni nas praias e nos concursos de miss; criminalizou o lança-perfume no carnaval e rinhas de briga de galo; dentre outras esquisitices que ainda vigoram. Como não existia o Twitter, o presidente se comunicava com os ministros por meio de bilhetinhos.

A exemplo de Jair Bolsonaro, Jânio não era rico, não fazia parte de algum clã, não tinha padrinhos, não era dono de jornal, não tinha dinheiro, não era ligado a grupo econômico, não era bonito, nem simpático. Em comum esses dois fenômenos tinham a incompetência, o conservadorismo e a falta de explicação para sua existência.

Jânio Quadro renunciou porque acreditava que seria possível um “autogolpe” e que o povo iria entronizá-lo com poderes imperiais. Isso nunca ocorreu. Mais tarde, Jânio justificou a pressão de “forças terríveis” que o obrigavam a renunciar, forças que nunca chegou a identificar.

A história se repete não por mera coincidência. Segundo o velho Marx, ela se repete primeiro como tragédia, depois como farsa.

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