Beto Richa combinou “eu não sabia” com tesoureiros do PSDB

Na semana passada, Beto Richa se reuniu secretamente com tesoureiros de campanha e responsáveis pela arrecadação financeira do PSDB para combinar uma resposta padrão à acusação de que ele, o governador, recebeu da empreiteira Odebrecht R$ 3,5 milhões no caixa dois.

Segundo um orelha seca do Blog do Esmael, que ficou atrás do toco durante a reunião ocorrida, o encontro colocou à mesma mesa Richa e os ex-tesoureiros Fernando Ghignone e Juraci Barbosa Sobrinho, que hoje são subordinados do governador em estatais. O primeiro preside a Compagas (companhia de gás) e o segundo dirige a Fomento Paraná.

A reunião secreta ocorreu três dias após a divulgação das delações da Odebrecht e o STF autorizar a abertura de novo inquérito contra Beto Richa no Superior Tribunal de Justiça — o foro competente para julgar governadores.

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, o BJ, revelou à Lava Jato que foram repassados à campanha de reeleição de Beto Richa a soma de R$ 2,5 milhões dividida em três parcelas.

Na delação à Lava Jato, o ex-executivo aproveitou para dar com a língua nos dentes acerca de outras somas irregulares, de disputas pretéritas, que remontam aos tempos de Prefeitura de Curitiba.

Segundo o delator BJ, antes, o governador do Paraná tinha o apelido de “Brigão” — porque gostava de brigar pela bufunfa — e depois ganhou a alcunha de “Piloto”. Para quem não sabe, Beto Richa é aficionado pelas corridas de automóveis e participa da 500 Milhas de Londrina e Fórmula Truck.

Além de tesoureiros e arrecadadores citados nas delações, Beto Richa também teve o suporte de advogados e palpiteiros contumazes.

O tucano teme ter o mesmo destino que teve o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), preso desde novembro de 2016 sob a acusação de corrupção e fraude eleitoral.

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