Artigo de Marcos Coimbra: “à‰ preciso salvar a oposição; presente difícil, futuro incerto”

Sociólogo Marcos Coimbra.
Por mais fichas que tenham colocado na aposta de que o julgamento do mensalão teria impacto destrutivo, por mais que achassem que o lulopetismo! sairia dele golpeado de morte, o fato é que os prognósticos para a eleição de 2014 continuam largamente favoráveis ao PT.

por Marcos Coimbra, via Correio Braziliense

2012 ainda não terminou, mas já se pode dizer que não foi um bom ano para a oposição. Certamente, não para a oposição institucionalizada, que disputa o jogo político e se expõe à s suas incertezas.

Isso é mau para ela, especialmente por estar sendo outro ano desfavorável, depois de vários negativos.

Acresça-se a isso que suas perspectivas de curto e médio prazos também não são alvissareiras.

Passado complicado, presente difícil, futuro incerto.

Tudo isso poderia ser preocupante apenas para ela, mas o problema, para o país, é que suas agruras deixam inquieta e açodada a outra parte da oposição.

Em todos os países democráticos, existe uma oposição fora dos partidos e estranha ao mundo oficial da política. Ela é constituída por entidades de diferentes tipos: grupos de pressão, movimentos sociais e de opinião, associações de interesse, à s vezes por sindicatos patronais ou de trabalhadores.

Também pela parcela mobilizada do eleitorado identificado com os partidos oposicionistas, nas elites, classes médias e no povo.

O lulopetismo! é o inimigo declarado das oposições extra-partidárias e informais de hoje em dia. Elas assim batizaram o fenômeno político mais importante deste começo de século 21 no Brasil, o crescimento e a consolidação de um partido de origem popular, que chegou ao poder, organizou uma ampla coalizão, mostrou-se competente para governar e, por isso, tem chance de lá permanecer por muito tempo.

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Enquanto esteve na oposição, o PT tinha suas bases!, que iam para as ruas e se manifestavam. O governismo da época morria de medo de seus tentáculos!: a CUT, o MST e assim por diante.

Mas nada de parecido ao que conhecemos hoje existia: quando a oposição era de esquerda, não havia uma grande imprensa! para auxiliá-la. O PT e seus aliados dispunham, no máximo, de simpatizantes nas redações de alguns veículos da indústria da comunicação ou de pequenas tribunas na imprensa alternativa.

O oposicionismo petista tampouco possuía uma articulação empresarial e institucional significativa. Contavam-se nos dedos os empresários maiores, os integrantes do Judiciário, os poderosos que simpatizavam com a esquerda !” e os que o faziam eram ridicularizados por seus pares, como se ser petista, para gente de alto nível!, fosse risível.

A atual oposição extra-partidária detesta o lulopetismo!.

Os anti-lulopetistas! radicais !” na opinião pública, nas instituições, nos grupos de pressão e na imprensa !” não poupam a tibieza que enxergam nos partidos de oposição. E não confiam em sua capacidade de derrotar o adversário.

Por mais que tenham procurado motivos para se alegrar com a eleição municipal, não há como apagar o que aconteceu em São Paulo. Ou negar que foi a terceira eleição seguida em que a oposição perdeu tamanho.

Por mais fichas que tenham colocado na aposta de que o julgamento do mensalão teria impacto destrutivo, por mais que achassem que o lulopetismo! sairia dele golpeado de morte, o fato é que os prognósticos para a eleição de 2014 continuam largamente favoráveis ao PT.

Aonde a impaciência e a frustração levarão essas pessoas?

Se fôssemos os Estados Unidos ou outros países democráticos estáveis, a resposta seria fácil. Mas não somos.

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O Brasil precisa de uma oposição partidária e institucionalizada sólida. Sem ela, nunca estaremos livres dos que se acham capazes de resolver a bagunça!, acabar com a corrupção! e limpar a política!. No bem bom, dispensando-se de conquistar um só voto.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi.

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