Moro e a ‘República de Curitiba’ no julgamento das urnas em 2022

Moro e a ‘República de Curitiba’ no julgamento das urnas em 2022, por Milton Alves

Por Milton Alves*

O lavajatismo apresenta as suas armas na arena da política: Os dois nomes mais conhecidos da operação Lava Jato — o ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo de Bolsonaro, Sergio Moro, e o procurador do Ministério Público, Deltan Dallagnol — anunciaram nesta semana a decisão de ingresso no partido Podemos, de propriedade da família Abreu e do senador paranaense Álvaro Dias.

Trata-se de um passo que revela o projeto político dos integrantes da finada força-tarefa da Lava Jato e do ex-juiz Moro, condutores de uma ruidosa e midiática operação, que gerou as condições para o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, facilitando o caminho da extrema direita rumo ao governo do país nas eleições de 2018.

A tentativa de resgate político de Sergio Moro é uma demonstração das dificuldades para viabilizar, por ora, uma candidatura “nem, nem” dos velhos partidos da direita liberal e de seus patronos no mundo das altas finanças e do baronato que controla as principais corporações de mídia do país.

Sergio Moro aparece nas pesquisas oscilando entre 4% a 8%, em algumas chegou a pontuar 10%. Sem a toga e a demagogia pseudo justiceira, na arena aberta da política, Moro e os beleguins da Lava Jato na condição de candidatos enfrentarão o julgamento popular — o mais implacável e democrático. Antes, precisam passar pelo crivo do vestibular da terceira via.

Moro, apesar de ostentar determinado nível de popularidade, perdeu força e, na medida em que foram aparecendo os crimes e as mazelas da Lava Jato, sua reputação foi minguando, construída no bojo de uma gigantesca farsa judicial e de operações selvagens de lawfare — tendo como alvo principal o ex-presidente Lula, que amargou uma injusta prisão de 580 dias e foi proscrito da disputa eleitoral de 2018.

O lavajatismo é uma corrente política de extrema direita, antidemocrática e antinacional, que apela para um discurso de caráter salvacionista e autoritário, atraindo o apoio dos segmentos mais abastados da classe média e da escória militante desgarrada do bolsonarismo, agrupadas em movimentos como MBL, Vem Pra Rua, Laços pelo Brasil, Direita Curitiba, Movimento Contra a Corrupção e de entidades de representação corporativa do aparato judicial, de segmentos da oficialidade das FFAA e da alta burocracia federal.

Vale lembrar que as ações da Lava Jato desembocaram na criminalização de partidos e lideranças políticas, no encarceramento preventivo de executivos de empresas privadas e públicas, nas delações forjadas, em conduções coercitivas ilegais, prisões filmadas, vazamentos seletivos para a Rede Globo, falsificação de documentos e na espionagem de advogados de defesa dos acusados — mecanismos criminosos utilizados pela operação, que contou com a colaboração de agências judiciais e de inteligência estadunidenses.

A Lava Jato legou ainda um enorme passivo na economia do país: sob o pretexto do combate à corrupção, provocou a implosão de setores econômicos inteiros, afetando a indústria da construção civil e de infraestrutura pesada, a indústria naval, o setor químico e a cadeia produtiva de petróleo e gás.

Resta saber se as novas maquinações do lavajatismo prosperam no atual cenário marcado por uma crise econômica, social, institucional e sanitária sem precedentes, que demanda um novo rumo ao país.

Além disso, Moro e os lavajatistas enfrentam sérias desconfianças de variados segmentos do establishment político e empresarial. O ex-juiz foi recebido com frieza em Brasília e sofreu ataques de ex-aliados que seguem apoiando o presidente Jair Bolsonaro.

O enfrentamento ao lavajatismo faz parte do esforço político da esquerda e das organizações de classe dos trabalhadores para derrotar o projeto de recolonização neoliberal aplicado pelo governo bolsonarista em comum acordo com a velha direita e seus financiadores da Faria Lima.

Aviso: Lançamento do Livro Lava Jato, a conspiração contra o Brasil

Dia 18/11 – quinta-feira, em Curitiba, a partir das 18h30, no Mafalda Café e Bistrô – R. Tibagi, 75 – Centro.

Dia 25/11 – quinta-feira, em São Paulo, a partir das 19h, no Patuscada Livraria, Bar e Café – R. Luís Murat, 40 – Vila Madalena – Pinheiros.

*Milton Alves é ativista político e social. Jornalista e escritor. Colabora em diversas mídias progressistas e de esquerda. É autor dos livros ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’ (2019), ‘A Saída é pela Esquerda’ (2020) e de ‘Lava Jato, uma conspiração contra o Brasil’ (2021) – todos pela Kotter Editorial.

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