Deu no New York Times: Bolsonaro não vai reconhecer a derrota nas urnas em 2022

Deu no New York Times: Bolsonaro não vai reconhecer a derrota nas urnas em 2022

Em uma longa reportagem nesta sexta-feira (12/11), o jornal The New York Times, o maior do mundo, denuncia que o presidente Jair Bolsonaro –com ajuda dos Estados Unidos– se prepara para mais uma jornada questionando a legitimidade das eleições de 2022. A publicação ainda frisa que o mandatário está em vertiginosa queda nas pesquisas de intenção de voto.

Com a queda nas pesquisas, o presidente Jair Bolsonaro já questiona a legitimidade da eleição do próximo ano. Ele tem ajuda dos Estados Unidos.

O Times assegura que o ex-presidente Donald Trump e seus aliados estão exportando sua estratégia de contestação de resultados eleitorais para a maior democracia da América Latina, o Brasil, trabalhando para apoiar a candidatura de Bolsonaro à reeleição no próximo ano – e ajudando a semear dúvida no processo eleitoral, caso o presidente brasileiro seja derrotado nas urnas.

O jornal americano anota que Bolsonaro e seus aliados da direita internacional estão rotulando seus rivais políticos de criminosos e comunistas, construindo novas redes sociais onde ele pode evitar as regras do Vale do Silício –leia-se Facebook, Twitter, YouTube, Instagram, WhatsAPP, etc. — contra a desinformação [fake news] e ampliando suas alegações de que as eleições no Brasil serão fraudadas.

Segundo o New York Times, a experiência da direita no Brasil servirá de laboratório e aprendizagem para as eleições presidenciais nos Estados Unidos em novembro de 2024, ou seja, dois anos mais tarde que a disputa no país da América do Sul.

A publicação afirma que o Brasil apresenta uma rica oportunidade econômica, com abundantes recursos naturais disponibilizados pelas desregulamentações de Jair Bolsonaro e um mercado cativo para as novas redes sociais de direita administradas por Trump e outros.

Duas redes sociais conservadoras administradas por aliados de Trump, Gettr e Parler, que são cópias do Twitter, estão crescendo rapidamente no Brasil por terem medo da censura da Big Tech [Google e Facebook] e persuadir o presidente Bolsonaro a postar em seus sites – o único líder mundial a fazê-lo.

A nova rede social de Trump, anunciada no mês passado, é parcialmente financiada por um deputado brasileiro —Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP)— alinhado com o presidente Bolsonaro.

O New York Times cita o ex-estrategista-chefe de Trump, Steve Bannon, segundo qual o presidente Bolsonaro só perderá se “as máquinas” roubarem a eleição.

Trump disse em 2019 que Jair Bolsonaro seria o “Donald Trump da América do Sul”. “Eu gosto dele”, completou o então presidente dos Estados Unidos, que foi derrotado na eleição do ano passado para o democrata Joe Biden.

O Times ainda relacionou, além de Trump a Bolsonaro, a tentativa de invasão do Capitólio em Washington em 6 de janeiro deste ano à manifestação de 7 de Setembro, Dia da Independência no Brasil, cujo lema do presidente brasileiro era ‘prisão, morte ou vitória’.

Os Estados Unidos são uma democracia com suas singularidades há 245 anos enquanto o Brasil tem uma Constituição Cidadã há 34 anos, após um período de ditadura militar entre 1964 e 1985.