Vem aí a 'CPI do Porto de Paranaguá' na Assembleia Legislativa do Paraná

Vem aí a ‘CPI do Porto de Paranaguá’ na Assembleia Legislativa do Paraná

Deputados se movimentam na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) com o objetivo de requerer a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a interferência, indevida, de órgãos governamentais no funcionamento do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá.

No domingo (03/10), o Blog do Esmael publicou trechos do “Vaza Porto” –mensagens trocadas entre agentes públicos e privados com a finalidade de desestabilizar, enfraquecer e derrubar a direção do Sindestiva, entidade fundada há 118 anos.

Na tarde desta quarta-feira (06/10), lideranças políticas de Paranaguá, visitam gabinetes na ALEP para explicar a bronca de estivadores com o porto.

De acordo com um dossiê, o centenário Sindestiva vem sendo alvo de um diabólico ataque orquestrado pela direção da APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), Operadores portuários e da Prefeitura do Município de Paranaguá. Diálogos vazados de grupos no WhatsAPP mostram como o peleguismo se articula para derrubar o presidente do Sindestiva, Izaias Junior, eleito há apenas um ano.

O Blog do Esmael teve acesso a alguns desses diálogos entre opositores de Junior, que são advogados, parte da Intersindical, secretários municipais, membros do OGMO –o órgão gestor da mão de obra no porto de Paranaguá– responsáveis pela escalão dos trabalhadores que irão trabalhar dentro de navios. A fonte anônima disse que repassou uma cópia desse explosivo material ao Ministério Público do Trabalho e ao Sindicato dos Estivadores. As conversas vazadas atentam contra os interesses da categoria, a princípio.

De acordo as mensagens trocadas, analisadas pelo Blog do Esmael, estivadores combinam sabotar os próprios camaradas de estiva com o objetivo de desestabilizar a diretoria do sindicato. Nesse conluio, Prefeitura, Porto, OGMO, Operadores, dentre outros personagens do mundo portuário respiram e conspiram contra Izaias Junior.

Numa das mensagens, dois estivadores combinam com os patrões criar uma comissão de negociação –formada por estivadores aliados ao peleguismo antissindical–, que “enfraqueceria o presidente na mesa de negociação” na ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) com o TCP (Terminal de Contêineres Paranaguá).

“Se apertar no DAS ele já era. Conseguimos tirar ele por má administração”, combinam o secretário municipal parnanguara do Trabalho, João Lozano, com uma representante do OGMO. Lozano era presidente do Sindestiva até o ano passado e DAS significa desconto de assistência social, cujo valor pago pelos sindicalizados desde a formação do sindicato, há 118 anos, é utilizado para fins administrativos e de assistência social; hoje, é uma das principais fontes de renda do sindicato, já que o OGMO suspendeu o fundo social em agosto deste ano.

Ao menos quatro broncas potencializaram a organização de um esquema patronal para derrubar a atual diretoria do Sindestiva, segundo as mensagens printadas: retirada do terno [equipe de trabalho a bordo da embarcação]; aperto no DAS; questão da MED SUL, o plano de saúde dos estivadores; e revogação do ACT com o TCP, que foi assinado em 2020 [pela antiga diretoria] sem a autorização dos estivadores.

Em relação ao MED SUL, uma “Frente de Mulheres de Estivadores do Porto de Paranaguá” pressiona pela revogação do aumento de até R$ 450 nos planos de saúde. Os estivadores querem suspender o aumento abusivo e, se possível, trocar o plano de saúde para a categoria. Nesta semana, em Curitiba, haverá uma reunião em Curitiba para tentar um desfecho para a crise.

O município de Paranaguá, a 93 km de Curitiba, no Litoral, tem o porto como sua principal fonte de arrecadação.

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