"Senador de Lula", Romanelli, chama de demagógica proposta de Lira que muda ICMS sobre combustíveis

“Senador de Lula”, Romanelli, chama de demagógica proposta de Lira que muda ICMS sobre combustíveis

O deputado socialista Luiz Claudio Romanelli (PSB), virtual candidato de Lula ao Senado pelo Paraná, nesta sexta (15/10), chamou de “demagógica” a proposta do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tornou fixo o valor do ICMS dos combustíveis.

O texto do projeto aprovado pela Câmara estabelece que o cálculo do imposto estadual será atrelado à quantidade do produto, portanto, terá valor fixo e estará sujeito à lei estadual.

É aí que entra o “Senador de Lula” na discussão:

“Presidente Lira, como regra não faço contraponto a autoridades, mas não é possível impor ao Paraná uma perda de receita de R$ 1,9 bilhão por ano. Se é pra fazer demagogia seja coerente: aplique a mesma regra para os preços do petróleo e dólar dos últimos dois anos. Arre cáspita!”, escreveu Romanelli nas redes sociais.

Lira se justificou dizendo que o país vive circunstâncias excepcionais. “A Câmara não está contra os governadores – mas sim a favor dos governados -o povo que nos elegeu. Brasileiros que sofrem com a inflação e desemprego e que precisam agora deste apoio -como precisaram ano passado do auxílio emergencial.”

“Se o problema é o longo prazo, daqui até lá, periga muita gente não estar aqui pra contar história. Câmara é ação no presente – quando os brasileiros pedem providências”, alegou o bolsonarista presidente da Câmara.

O socialista Romanelli então retrucou Lira:

“Já que a Câmara dos Deputados pretende que os estados apliquem o ICMS sobre o preço médio dos últimos dois anos, e para que haja coerência a Petrobras deveria fazer o mesmo: preços pela média do petróleo e dólar dos últimos dois anos. Assim, todos seriam felizes.”

Mexer no ICMS não resolve preços abusivos dos combustíveis, diz FUP

O coordenador a Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar afirmou nesta quinta-feira, 14, que não basta o Senado determinar a redução do ICMS sobre os combustíveis, e que esta é uma medida “paliativa” para tentar diminuir o preço pago pelo consumidor final.

Segundo Deyvid, é preciso revogar imediatamente a política de paridade de importação (PPI), que torna o país dependente direto dos preços praticados internacionalmente do petróleo e à variação cambial.

“Alterar a forma de calcular o ICMS sobre os combustíveis é medida paliativa; não ataca a causa dos seguidos e abusivos aumentos nos preços dos derivados de petróleo. Enquanto a gestão da Petrobrás não mudar a política de preço de paridade de importação (PPI), a gasolina, o diesel, o gás de cozinha e, consequentemente, a comida do brasileiro ficarão cada vez mais caros, reféns de reajustes ditados pelos preços internacionais do petróleo, variação cambial e custos de importação de derivados, mesmo o Brasil sendo autossuficiente em petróleo”, disse o líder da FUP em nota.

Sobre os aumentos dos combustíveis

A gasolina subiu 39,60% em 12 meses e o gás de cozinha registrou alta de 34,67% no mesmo período, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação. Já o diesel subiu 37% no acumulado do ano, segundo Agência Nacional do Petróleo (ANP). Isso sem contar o reajuste de 7,2% que a Petrobras anunciou no último dia 8, indiferente ao que acontece em Brasília.

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