Adeus, querido Paulo Guedes: plenário da Câmara convoca ministro para explicar contas em paraíso fiscal

Caso Paulo Guedes abre crise no Jornal Nacional, da Globo, sobre contas no paraíso fiscal

A reportagem do ‘Pandora Papers’, que revelou contas secretas em paraísos fiscais do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vai ao ar no Jornal Nacional, da Globo? Até a conclusão deste post não havia ainda certeza na emissora carioca.

Segundo investigação de veículos brasileiros nos arquivos do ‘Pandora Papers’, colaboração jornalística sob a organização do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), Guedes e Campos Neto infringiram o artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, de 2000, dispositivo que proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais.

No dia 24 de setembro de 2014, com o mercado financeiro cada vez mais agitado diante da iminência da reeleição de Dilma Rousseff (PT), o Banco Central interveio para conter a alta do dólar. No dia seguinte, o economista Paulo Guedes, então sócio da Bozano Investimentos, uma gestora de recursos, tomou uma providência para manter parte da sua fortuna longe das turbulências da economia brasileira: fundou a Dreadnoughts International, uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. Nos meses seguintes, Guedes aportaria US$ 9,54 milhões — o equivalente, hoje, a mais de R$ 50 milhões — na conta da offshore, numa agência do banco Crédit Suisse, em Nova York.

É nesse contexto que ministros do governo Jair Bolsonaro mantiveram ilegalmente contas [offshores] em paraísos fiscais do Caribe. Aliás, executivos de veículos de comunicação da velha mídia corporativa também têm esse tipo de contas secretas. Em 2016, a reportagem ‘Panamá Papers’ havia mostrado que ao menos 14 pessoas mantinham recursos no exterior.

Talvez o envolvimento de barões da velha mídia golpista em evento semelhante, de possuir contas no exterior, cause empatia com os membros do governo e faz com que a cobertura da impressa titubeie como agora. Some-se a isso a blindagem que já existe a favor de Paulo Guedes, representantes dos bancos na gestão Bolsonaro, e interesses cruzados existentes entre os jornalões, fundos de investimentos e casas bancárias.

Pandora Papers? A princípio isso a Globo não mostra como deveria mostrar. A tendência é que faça uma cobertura burocrática enquanto maximiza a reta final da CPI da Pandemia, ou seja, o Jornal Nacional tende desviar o foco para o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a Prevent Senior, plano de saúde que compunha o gabinete paralelo do negacionismo.

A crise no Jornal Nacional é porque parte dos editores defendem aprofundar as investigações do Pandora Papers, no entanto, a direção pede cautela e pé no freio.

Com informações do Metrópoles, parceiro do Blog do Esmael.

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