As universidades estaduais do PR precisam do retorno da valorização do ensino superior no Estado

As universidades estaduais do PR precisam do retorno da valorização do ensino superior no Estado

Por Enio Verri*

É inevitável não falar do momento do ensino superior público no Paraná com a escassez de verbas, os cortes de recursos que mantinham bolsistas e projetos de pesquisas, além da redução de investimentos às universidades públicas de todo o país. Aqui, no Paraná, as universidades estaduais têm se manifestado frequentemente contra essas ações que só impactam negativamente a política de democratização do ensino superior.

Atualmente, a luta é para sanar o atraso no pagamento das bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e do Programa Residência Pedagógica (RP). A justificativa para esse atraso, segundo a Capes, depende da aprovação do PLN 17/2021. Com isso, mais de 70 mil bolsistas dos programas estão apreensivos sobre o futuro dos seus trabalhos acadêmicos. E atinge, ainda, a formação inicial de professores e professoras. A preocupação é maior ainda para aqueles que a bolsa é a única fonte de renda.

Já os cortes no orçamento das sete universidades estaduais do Paraná, trazem um problema que afeta a condição das instituições manterem o seu funcionamento. Com a volta dos trabalhos presenciais, haverá necessidade de repor o que foi cortado de orçamento para que as atividades acadêmicas não sofram prejuízos.

Os representantes das universidades já declararam que será preciso contratação de pessoal, a volta da estrutura de atendimento à comunidade com serviços na área da saúde; além do custeio normal desses estabelecimentos de ensino.

Para se ter ideia, só a Universidade Estadual de Maringá (UEM) relatou queda de 51% na arrecadação própria de 2019 para 2020, de R$ 15,6 milhões para R$ 8 milhões; mais o corte de 75% na verba de custeio da LOA , de apenas R$ 5,8 milhões em 2021, queda brusca em relação aos R$ 23,4 milhões executados no último ano.

Ora, não dá para continuar negligenciando o desmonte contínuo com a educação pública no Brasil e também no nosso Estado. O ensino superior, principalmente, sofre mais com os ataques dos governos, tanto federal quanto estadual. A universidade não pode voltar a ser ambiente para poucos como deseja o atual ministro da Educação, Milton Ribeiro.

As universidades merecem respeito e não podem ficar submetidas ao papel de mendigar liberação de recursos durante o decorrer do ano. É um cenário alarmante para um país que vinha promovendo e ampliando políticas e ações para que todos e todas pudessem ter oportunidade de ter um diploma de graduação.

A importância do ensino superior é indiscutível. A educação e a ciência contribuem para o desenvolvimento local, para o avanço da saúde, para o acesso ao conhecimento e para que nosso povo não fique refém de negacionistas e das informações falsas.

Cito ainda a pesquisa de 2016, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que relata que a cada real investido nas universidades estaduais do Paraná o retorno é quatro vezes maior para as economias locais.

Nosso ensino superior está entre os melhores do país. A UEM é a sexta melhor universidade estadual brasileira. Mas essa qualidade precisa de apoio e financiamento público. A defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade não é em vão. É preciso unir poder público e sociedade civil nessa defesa e acabar com os tempos de restringir a educação para pequenos grupos privilegiados. Educação, universidade e ciência é para todos e todas.

*Enio Verri, deputado federal (PT-PR) e professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

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