Se Tatiana tivesse vazado essas informações para a Folha, Globo ou Estadão ela receberia a etiqueta de "fonte", não a de "informante" como dissemina a velha mídia corporativa. Jornalista [até mesmo o Allan dos Santos] tem fontes, não informantes. É o que diz a Constituição Federal de 1988.

A ex-estagiária bolsonarista de Lewandowski que constrange o Supremo Tribunal Federal

O nome dela é Tatiana Garcia Bressan, 45 anos, que atuou como estagiária no gabinete do ministro do STF Ricardo Lewandowski entre 19 de julho de 2017 a 20 de janeiro de 2019.

Segundo a Polícia Federal, a ex-estagiária de Lewandowski era “informante” do jornalista bolsonarista Allan dos Santos, investigado pelo Supremo Tribunal Federal por disseminar notícias falsas e antidemocráticas.

A PF tem mensagens da ex-estagiárias do período que compreende 23 de outubro de 2018 a 31 de março de 2020, ou seja, um ano de conversas entre Tatiana e Allan dos Santos. Ambos se conheceram como alunos do astrólogo Olavo de Carvalho, guru o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos.

A suposta informante diz em uma das mensagens que “O que vi de mais espantoso é que realmente eles decidem o que querem e como querem. Algumas decisões são modificadas porque alguém importante liga pro ministro” e que a possibilidade de soltura do ex-presidente Lula nas vésperas das eleições de 2018 causou um “corre-corre danado” no STF.

Nas mensagens, a então estagiária de Lewandowski ironiza os ministros da corte que teriam arregado para o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército.

“Quando ele liga, o Lewandowski o atende prontamente. Dizem por lá q o pedido de suspensão de liminar feito pelo partido NOVO foi combinado a pedido do Fux e Toffoli. Vc sabe que o Villas Boas botou um general pra trabalhar junto com o Toffoli na presidência, né?”, disse ela, espirituosamente.

Tatiana, nas mensagens trocadas com Allan, também gostava de fazer piadas com o medo dos ministros do Supremo. Segundo ela, “estavam todos esperando o soldado e o cabo para fechar o STF”, que ainda se diverte afirmando que “todos atentos: ‘Agora temos um general na presidência’! kkk Inclusive Toffoli [ministro Dias Toffoli, então presidente do STF] nem fala mais em ditadura de 64. Fala em ‘movimento de 64′”, disse a ex-estagiária, se referindo ao general Fernando Azevedo e Silva, que foi “colocado” para trabalhar junto com o Toffoli na presidência da corte.

“Tem uma coisa Allan, mas acho q vc ja sabe… tenho pra mim q quem soltará o Lula será o Lewandowski porque com a última decisão nos autos da reclamação q a defesa ajuizou em nome do próprio lula, pedindo q ele pudesse conceder entrevista p/ quem quisesse)….. como esse decisão foi a primeira envolvendo a execução da pena do lula, tornou o Lewa prevento para futuras decisões envolvendo a execução da pena dele”, analisou Tatiana em uma das mensagens.

A ex-estagiária Tatiana Bressan é bolsonarista assim como Allan. Eles sempre combinavam se encontrar com a “turma” para discutir política. Nas redes sociais, a ex-estagiária de Lewandowski, depois de deixar a função, deixou a máscara cair publicando dentre vários posts “FORAAAAAA GILMAR”.

Se Tatiana tivesse vazado essas informações para a Folha, Globo ou Estadão ela receberia a etiqueta de “fonte”, não a de “informante” como dissemina a velha mídia corporativa. Jornalista [até mesmo o Allan dos Santos] tem fontes, não informantes. É o que diz a Constituição Federal de 1988.

Moral da história: a culpa é do estagiário.

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