Google, "esse comunista", homenageia os 100 anos de Paulo Freire

Google, “esse comunista”, homenageia os 100 anos de Paulo Freire

O pedagogo Paulo Freire foi homenageado pelo Google –“esse comunista”– em todos os países neste domingo (19/09) pelo centenário de seu nascimento.

Brasileiro de Recife (PE), Freire é o intelectual mais lido, citado e estudado nas academias de todo o mundo.

Seu método de alfabetização segundo qual ‘a educação como prática da liberdade’ é festejado nos quatro cantos do planeta. Ele usava as experiências do sujeito e o fazia protagonista com as suas próprias experiências vividas.

Paulo Freire utilizou o método de alfabetizar e conscientizar jovens e adultos como prática da liberdade e do direito do homem se tornar cidadão do mundo, por isso é considerado um grande libertador.

A justa e importante homenagem do Google reconhece a importância de Paulo Freire de para a educação em todos os países do mundo e representa uma dura derrota para “anjos do ódio”, materializados nos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e no próprio mandatário.

Paulo Freire, presente!

Quem é Paulo Freire?

Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, Paulo Freire acreditava que o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno, levá-los a entender sua situação de oprimido e agir em favor da sua própria libertação.

Ao propor uma prática educacional que possibilitasse desenvolver o senso crítico dos alunos, Freire se opunha ao ensino oferecido pelas escolas tradicionais, no qual o professor deposita conhecimento em uma aluno receptivo, mas não participativo. Para ele, esse tipo de ensino matava nos educandos a curiosidade, o espírito investigados e a criatividade, o acomodando no mundo. Já a educação defendida por Freire tem a intenção de inquietá-los.

Para o professor, Paulo Freire propõe um papel diretivo e informativo, de forma que o mesmo não renuncie ao seu papel de autoridade em sala de aula. Para ele, o educador deve levar os alunos a conhecerem conteúdos sem tê-los como verdades absolutas. “Os homens se educam entre si, mediados pelo mundo”, dizia.

Segundo Freire, o aluno, alfabetizado ou não, chega a escola com uma bagagem cultural, que não pode ser colocada em posição de inferioridade ou superioridade frente a bagagem cultural do seu educador. Ele propõe que, em sala de aula, professor e aluno aprendam juntos através de uma relação afetiva e democrática, na qual todos tenham garantida a possibilidade de se expressarem.

O que é o ‘Método de Alfabetização’ Paulo Freire?

A valorização da cultura do aluno é o fundamento principal do processo de conscientização proposto por Paulo Freire e de seu método de alfabetização, inicialmente formulado para adultos. Esse método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos, o que Freire chama de palavras geradoras. “Tijolo” é um exemplo de palavra geradora para um trabalhador da construção civil. Identificadas às palavras geradoras, o professor apresenta, lado a lado, a palavra e sua representação visual. A partir daí, são estudados todos os mecanismos de linguagem associados àquela palavra geradora.

O método desenvolvido por Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas também que o aluno aprenda a “ler o mundo”. Ler a realidade e ser capaz de transformá-la. Para Freire, tudo está em permanente transformação e, por sua vez, o ser humano é um ser “histórico e inacabado” que, por consequência, deve estar sempre pronto a aprender. Este conceito, quando aplicado aos professores, coloca a necessidade de uma formação rigorosa e permanente.

Paulo Freire divide o processo de educação em três momentos. No primeiro, o educador investiga o universo em que o aluno está inserido, introduzindo a “cultura” do aluno dentro de sala de aula. O segundo é a exploração das questões relacionadas com os temas em discussão, conduzindo o aluno para além do senso comum, proporcionando uma visão crítica da realidade. Por fim, no terceiro momento, chega-se a etapa da problematização, na qual o conteúdo é dissecado e o aluno deve propor ações para superar impasses. Vencidos estes três momentos, o ensino proposto por Freire encontra seu objetivo final, a conscientização do aluno.

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