Deu no Jornal Nacional: Véio da Havan financiou fake news sobre pandemia com ajuda de Eduardo Bolsonaro

Deu no Jornal Nacional: Véio da Havan financiou fake news sobre pandemia com ajuda de Eduardo Bolsonaro

O empresário Luciano Hang, o Véio da Havan, irá depor na quarta (29/09) na CPI da Pandemia. Ele será perguntado pelos senadores sobre o financiamento ao jornalista bolsonarista Allan dos Santos, acusado de fake news, com ajuda do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o Zero Três, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Deu no Jornal Nacional, edição de sexta (24/09), que conversas entre o filho do presidente da República e Allan dos Santos, investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal, indicam que Eduardo intermediou com o Véio da Havan o financiamento para disseminação de notícias falsas sobre a pandemia.

A CPI da Pandemia assegura que políticos, empresários, sites de bolsonaritas e militantes de direita usaram a rede de disseminação de fake news — conhecida como “gabinete do ódio”– para distribuir informações falsas sobre a pandemia antes mesmo do funcionamento da comissão de investigação.

A Globo afirma que teve acesso às mensagens em poder da CPI, que exibidas pelo Jornal Nacional. A emissora não explicou como obteve esses documentos vazados.

Allan dos Santos, que hoje vive nos Estados Unidos, é investigado pelo STF por ameaças a autoridades e financiamento de atos antidemocráticos.

Segundo o Jornal Nacional, da Globo, o astrólogo Olavo de Carvalho, guru dos Bolsonaro, também participou nessa triangulação.

Véio da Havan vai depor na CPI quarta, dia 29

Está agendada para a próxima quarta-feira (29/09), às 10h, a oitiva do empresário Luciano Hang na CPI da Pandemia. Hang é acusado de pertencer ao chamado “gabinete paralelo”, grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro suspeito de aconselhar o presidente em relação à pandemia de covid-19, promovendo ideias sem comprovação científica, como o “tratamento precoce” com hidroxicloroquina e ivermectina.

A convocação de Hang foi aprovada na quarta-feira (22/09), por requerimento do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI. No mesmo dia, o nome de Hang foi citado no depoimento de Pedro Benedito Batista Jr., diretor da empresa de planos de saúde Prevent Senior. Foi em um dos hospitais próprios da Prevent, o Sancta Maggiore, em São Paulo, que a mãe do empresário, Regina Hang, de 82 anos, morreu em fevereiro deste ano.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Luciano Hang aparece dizendo que a mãe poderia ter sido salva se tivesse feito “tratamento preventivo”. Porém, o prontuário de Regina Hang no Sancta Maggiore, obtido pela CPI junto ao hospital, indica que ela tomara, sim, hidroxicloroquina e ivermectina antes da internação. A Prevent Senior vem sendo acusada por médicos de incentivar a prescrição desses medicamentos, na contramão dos principais estudos científicos realizados desde o início da pandemia.

Já internada, ela teria sido submetida a ozonioterapia por via retal, tratamento vedado pelo Conselho Federal de Medicina por falta de comprovação de sua eficácia.

Causa mortis

Além disso, embora o prontuário indique que Regina Hang teve covid-19, a doença não consta do atestado de óbito, contrariando recomendação expressa do Conselho Federal de Medicina. Hang admite que a mãe teve covid, mas negou que essa tenha sido a causa mortis, alegando que já estava curada do coronavírus.

Segundo o relator da CPI, Renan Calheiros, Luciano Hang pediu aos médicos que não revelassem que sua mãe fizera o “tratamento precoce”. O objetivo, ainda segundo Renan, seria não desmoralizar publicamente o uso da hidroxicloroquina e da ivermectina.

À CPI, Pedro Batista Jr. negou-se a responder sobre o caso de Regina Hang, invocando o sigilo médico. Porém, falando em tese, o diretor da Prevent Senior admitiu que em alguns casos o hospital Sancta Maggiore retirava a classificação de covid-19 do prontuário de pacientes que deixavam de apresentar sintomas da doença.

“Todos os pacientes com suspeita ou confirmados de covid (…), quando entravam no hospital, precisavam receber o B34.2, que é o CID [Classificação Internacional de Doenças] de covid, e, após 14 dias — ou 21 dias, para quem estava em UTI —, se esses pacientes já tinham passado dessa data, o CID poderia já ser modificado, porque eles não representavam mais risco para a população do hospital”, alegou Batista, em explicação considerada “inacreditável” pelo relator Renan.

Suspeita-se que o objetivo da Prevent Senior era gerar uma subnotificação de óbitos pela doença, favorecendo teses do “gabinete paralelo” de Bolsonaro. Em outro vídeo obtido pela CPI, Pedro Batista Jr. parece fazer a defesa da “imunidade de rebanho”, outra tese contestada, segundo a qual seria melhor deixar o vírus circular livremente até parar de circular por não encontrar mais pessoas para infectar.

A convocação de Hang dividiu opiniões na CPI. Para Renan Calheiros, “a presença desse senhor nesta Comissão Parlamentar de Inquérito é mais do que recomendável”.

Jorginho Mello (PL-SC) votou contra a convocação e considerou “revoltante” a CPI “desrespeitar a memória da mãe do empresário” e pôr em dúvida “seu amor de filho”.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) considerou “lamentável” a exposição pública das informações do prontuário de Regina Hang, “cobertas pelo sigilo, em proteção à intimidade do paciente”.

Para Jean Paul Prates (PT-RN), por sua vez, Luciano Hang foi “desumano”, pois “não respeitou nem a própria mãe para defender o governo: deixou que a Prevent Senior falsificasse a causa da morte dela, ocultando a covid-19”.

Leia também
Covid “derruba” ministros de Bolsonaro

Bolsonaro vem aí, que Deus nos livre e guarde. Use máscara e álcool em gel

URGENTE: Lula vai a Brasília segunda-feira pelo impeachment de Bolsonaro