Jair Bolsonaro e o cabo de guerra

Quem quem ganha e quem perde com o internamento do presidente Jair Bolsonaro; veja agora

Há um cálculo político no internamento às pressas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que, nesta quarta (14/7), foi transferido de Brasília para São Paulo. Embora cercado de mistérios, o traslado teve uma pegada pirotécnica, de show, de divertimento, para desviar a atenção do que realmente precisa ser visto.

A senha de que se trata mais de picadeiro e menos de doença pôde ser visto pelo discurso de ódio do mandatário, mesmo ele estando nos estertores.

“Mais um desafio, consequência da tentativa de assassinato promovida por antigo filiado ao PSOL, braço esquerdo do PT, para impedir a vitória de milhões de brasileiros que queriam mudanças para o Brasil. Um atentado cruel não só contra mim, mas contra a nossa democracia”, destilou Bolsonaro no Twitter.

O PSOL e PT afirmaram que irão ao Supremo Tribunal Federal contra o crime de calúnia e difamação promovido pelo presidente da República.

Como se vê, o internamento e até a intubação [se realmente ocorreu] são parte de mais uma armação do genocida para tirar proveito política.

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Diante desse contexto, quem ganha e quem perde com essa ação midiática de Jair Bolsonaro?

Quem perde com o internamento de Bolsonaro

  • Ciro Gomes — quem vê sua possibilidade de crescimento na rejeição de Bolsonaro virar pó;
  • Terceira via — paralisa a busca pela terceira via com convalescimento do presidente;
  • CPI da Pandemia — que perde a primazia dos holofotes para o hospital;
  • Setores velha mídia –que factualmente precisa dar atenção ao internamento do presidente;
  • Ricardo Barros –que continua na frigideira.

Quem Ganha com o internamento de Bolsonaro

  • Jair Bolsonaro –que obtém uma trégua da mídia e da CPI;
  • A família Bolsonaro –que retoma a ofensa política;
  • Fake News –prevalece a narrativa do ódio e da mentira;
  • Institutos de pesquisa –que terão de fazer novos levantamentos sobre a “fakada 2”;
  • Lula –que fixa Bolsonaro como adversário em 2022.

A seu modo e estilo o presidente Jair Bolsonaro está colocando um “freio de bridão” nos senadores da CPI da Pandemia, que, nos últimos dias, se aproximou muito da corrupção promovida pelo governo na compra de vacinas. Além disso, o mandatário tenta se esquivar da responsabilidade pelas mais de 537 mil vidas perdidas nesse período e do julgamento da sociedade pela omissão do poder público.

Bolsonaro luta por recuperar não a saúde, mas a popularidade. Ele briga contra o derretimento a que foi submetido após os brasileiros tomarem conhecimento do genocídio em curso no País.