Paulo Guedes e Jair Bolsonaro

Paulo Guedes é corresponsável pelo genocídio no Brasil, diz CPI da Pandemia

O ministro Paulo Guedes e o ainda presidente Jair Bolsonaro, ao se despedirem, confirmam entre si: ‘a gente se vê em Haia’. A referência é à capital dos Países Baixos, sede do Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga crimes contra a humanidade.

É uma uma piada corre os bastidores de Brasília, mas, muito provavelmente, após os senadores positivarem a responsabilidade de Guedes e Bolsonaro, no relatório final da CPI da Pandemia, irá atormentá-los pelo resto de suas vidas.

Segundo a comissão de investigação, Guedes e sua equipe econômica juntaram ‘negacionismo’ e ‘fiscalismo’ [sistema que visa garantir o pagamento de juros e amortizações da dívida pública, ou seja, honrar a remuneração de especuladores] para negar a compra de vacinas da Pfizer.

A CPI pode convocar Paulo Guedes para explicar o motivo dele eliminar um dispositivo na Medida Provisória que facilitava compra de imunizantes da Pfizer e da Janssen. No entanto, o ministro da Economia [dos bancos] tem a blindagem assegurada pela velha mídia.

Até mesmo os corajosos membros a comissão de inquérito temem ser linchados pelos jornalões, se convocarem o “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro para explicar sua parte nesse genocídio do Brasil.

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Desde dezembro de 2020, o Ministério da Economia foi chamado para desembaraçar a compra de vacinas. Mas, cobrado, Guedes jurou à CPI que só foi acionado em março. Documentos, porém, desmentem o ministro.

De acordo com o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), o país perdeu 542.756 vidas. Se a vacinação tivesse ocorrido com mais celeridade, cerca de 200 mil mortes teriam sido evitadas.

Se Bolsonaro e Guedes, em nome do governo federal, tivessem aceitado as ofertas de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer e de 100 milhões de doses da Coronavac no segundo semestre de 2020, a aplicação de 2 milhões de doses por dia a partir de janeiro, teriam poupado mais de 200 mil vidas até o final de 2021.

O curioso é que enquanto Guedes endurecia na compra de ‘vacinas lícitas’ com os fabricantes o governo afrouxava a negociação com atravessadores. Negava a eficácia dos imunizantes em público, mas, debaixo dos panos, Bolsonaro operava um bilionário esquema de corrupção com pedidos de propina.

Ok. Se as vacinas fossem compradas com superfaturamento, como investiga a CPI, o caixa [Tesouro Nacional] que pagaria a aquisição não seria o mesmo?

Qual o papel de Paulo Guedes nesse genocídio e no propinoduto? É isso tudo que a CPI da Pandemia pretende deixar às claras, até que provem contrário.

Para a CPI, Paulo Guedes é corresponsável pelo genocídio no Brasil.