Bruna Brelaz é a nova presidente da UNE

Ela pode derrubar o presidente da República; conheça a nova presidente da UNE

  • UNE elege estudante do Amazonas como presidente
  • Bruna Brelaz, 26 anos, é a primeira mulher negra eleita à frente da entidade

A UNE (União Nacional dos Estudantes) elegeu neste domingo (18/7) a estudante amazonense Bruna Brelaz, 26 anos, como nova presidente da entidade. É ela quem está na linha de frente das manifestações de 24 de julho, o #24JforaBolsonaro, no próximo sábado.

O presidente Jair Bolsonaro não quis comentar sobre a eleição Brelaz, seu novo pesadelo, que vai intensificar os protestos nas ruas pelo seu impeachment.

A decisão aconteceu após reunião da diretoria no último dia do Congresso Extraordinário da entidade, realizado pela primeira vez em formato on-line, por conta da pandemia da Covid-19 e as medidas de segurança de distanciamento social.

Bruna Brelaz é filiada à UJS (União da Juventude Socialista), presidiu a UEE-AM ( União Estadual dos Estudantes do Amazonas) entre 2015 e 2017, chega à presidência da UNE, após ocupar a diretoria de Relações Institucionais e Tesouraria.

“Entre 2017 e 2019, atuei em Brasília, compondo lutas, levando propostas e debatendo com lideranças políticas às urgências da educação e direitos dos estudantes. Atravessamos, a luta contra o Teto de Gastos, Reforma da Presidência e intensos debates contra o Escola sem Partido e orçamento da educação. Encarei de frente qualquer possibilidade de tentarem me calar por ser mulher, jovem e negra”, relembra.

Experiente, dado os desafios a estudante manauara assume a UNE, em meio aos protestos pelo impeachment de Bolsonaro, os cortes na pasta de educação que ameaçam os programas de permanência e os funcionamento de universidades, além do ensino remoto e os altos índices de evasão do ensino superior.

“Temos desafios de mobilizar cada vez mais pessoas pela saída do Governo Bolsonaro do poder, afinal, como já foi mostrado é impossível pensar em investimento, projeto e futuro da educação com ele na presidência. Lutaremos para recompor o orçamento das universidades, defender o Enem, para que seja um exame justo e seguro, e não um sacrifício aos estudantes, como foi o último”, afirma Bruna.

Para ela, que foi estudante de pedagogia da UEA (Universidade Estadual do Amazonas), e acessou o ensino superior por meio da reserva de vagas, o próximo ano também será intenso nos debates para defender a renovação da “Lei de Cotas” (PL 12.711/2012).

Atualmente, Bruna mora em São Paulo e é estudante do terceiro semestre na Faculdade Autônoma de Direito.

Para a retomada de aulas presenciais, a presidente afirma que a UNE estará recepcionando os estudantes nas universidades, mobilizando e convocando para que seja realizada em segurança e a entidade estará aberta a ouvir os relatos de como as universidades estarão se adaptando ao ensino híbrido.

“Entendemos que a universidade de antes não existirá nos mesmos moldes, nem o estudante tem o mesmo perfil – muitos deles sequer conheceram as aulas presenciais. Pretendemos também apresentar um projeto para a construção de perspectivas para o retorno das aulas e também que impeça a evasão, criando condições de permanência”.

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Educação como prioridade

O movimento estudantil entrou na vida de Bruna, durante as manifestações em Manaus contra o aumento da tarifa de transporte em 2011, e segundo ela, esse foi um “divisor de águas”, em que expandiu o seu olhar e as perspectivas para a educação.

“Antes imaginava, que dada a minha realidade, não entraria na universidade. Minha vida estudantil terminaria no ensino médio. Após esse contato com estudantes secundaristas, a UBES, ampliei meu entendimento sobre qualidade na educação, democracia e acesso à universidade”.

Já na universidade, foi diretor do DCE da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), a entidade que conquistou as eleições diretas para reitor na instituição, construindo um processo de fortalecimento e de autonomia.

Nascida em 1995 – assim, “meio Millennial, meio Geração Z” – atravessou grandes desafios, entre não ter dinheiro para passagem para ir à escola, de ter medo dos deslizamentos de terra quando chovia muito em Manaus, perder amigos para a violência do estado, porém relembra que sua mãe Dyla, que madrugava na fila para garantir a vaga das filhas, na Escola Estadual DJalma Batista, um referência no ensino na cidade.

Sendo a primeira presidente nortista da UNE, também projeta elevar as lutas em defesa da Amazônia, contra a “boiada” e pela soberania nacional.