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Samu também pede socorro no Paraná, por Enio Verri

Por Enio Verri*

O Paraná ainda passa por um momento crítico da pandemia da Covid-19. O Estado contabiliza mais de um 1,1 milhão de casos da doença e a mais de 27 mil mortes registradas desde que a pandemia começou, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Com a média diária de contaminados ainda alta, 95% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) estão ocupados.

E, em todo esse cenário, temos denunciado e alertado para o quadro cruel vivido pelos profissionais da saúde. Todos os que estão no enfrentamento da doença, há mais de um ano, convivem com os impactos do vírus nos pacientes, na família, as milhares de mortes e todo o peso que a covid trouxe às suas rotinas. Discutimos sobre a situação dos médicos, os profissionais da enfermagem, e ainda sobre os agentes de saúde. E, dentro da área da saúde, temos ainda o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Com o esgotamento do sistema de saúde – tanto público quanto privado –, de leitos lotados e de UPAS e hospitais sobrecarregados, o Samu tem exercido funções além da sua competência para auxiliar no atendimento médico-hospitalar em alguns municípios paranaenses. Para se ter uma ideia, em Maringá, um hospital particular, precisou da ajuda do Serviço Móvel, e de outros hospitais e clínicas, para manter a oferta de oxigênio aos pacientes.

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O Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná (Consamu), que engloba 43 municípios, por exemplo, alertou para o grande número dos atendimentos de pacientes gerais e com Covid-19. Chegou-se ao ponto de ambulâncias ficarem ocupadas com pacientes a espera de vaga em leitos clínicos ou de UTI.

Essa situação traz um novo risco, um colapso no atendimento de emergências nos municípios do Paraná. Além disso, o Samu enfrenta outras dificuldades. Em Curitiba, médicos e socorristas desse serviço reclamam do fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) inadequados e inseguros.

E, outra séria denúncia é quanto ao pagamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em várias regiões brasileiras. Municípios denunciaram, na Comissão de Seguridade Social e Saúde da Câmara dos Deputados sobre a defasagem nos repasses do Governo Federal para manutenção do serviço. E, ainda, que o Samu não recebeu recurso extra do Ministério da Saúde durante a pandemia. O resultado pesa no bolso dos gestores municipais que precisam arcar com os custos extras por conta do agravamento da pandemia.

É um momento de tensão de todos os lados da saúde pública. O medo maior dos profissionais que atuam no serviço é que, com a iminência de uma terceira onda da doença, o socorro falte a algum paciente de covid.

O Samu é fundamental no enfrentamento, na ida direta até o paciente de covid, e seus profissionais se arriscam todo o tempo. Muitas vezes sem o descanso necessário, como é possível em tempos de normalidade.

Não dá para aceitar que esse serviço fique sob ameaça de colapso, por falta de estrutura adequada ou porque o governo não repassou recursos como deve ser feito. Quem precisa do socorro é o paciente e não o Samu.

*Enio Verri é deputado federal (PT-PR) e professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).