Homem que deu tapa na cara do presidente da França, Emmanuel Macron, tem perfil fascista

O tapa na cara infligido ao presidente Emmanuel Macron durante visita, ontem, a uma cidade no sudeste da França é tema de editoriais em toda a imprensa nesta quarta-feira (9). Os jornais falam em agressão “intolerável”, que atesta uma “violência subjacente” na sociedade, sinal de uma “espiral nociva” no debate público. “Bater no presidente foi o mesmo que dar um tapa na cara da França”, resumem os editorialistas.

O agressor, Damien Tarel, e um amigo que filmou a cena, identificado como Arthur C., têm ambos 28 anos. Fã de artes marciais, o agressor se apresenta nas redes sociais com uma foto em que aparece vestido com trajes medievais, de capa e espada. Ele apoia movimentos de extrema direita, principalmente monarquistas.

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Damien Tarel e seu amigo não tinham passagem pela polícia. Uma queixa por ato de violência voluntária contra pessoa detentora de autoridade pública foi apresentada à Justiça, mas os investigadores ainda analisam o computador do agressor e podem indiciá-lo por outros delitos ao final da custódia policial. A pena prevista, por enquanto, é de 3 anos de prisão e multa de € 45 mil (R$ 276 mil).

O jornal Le Parisien analisou as contas dos amigos de Damien Tarel nas redes sociais. Entre outros, figuram um youtuber de extrema direita conhecido pelo apelido de Papacito (Ugo Gil Jimenez), escritor de quadrinhos e autor de vários vídeos e publicações sobre temas como imigração, violência e virilidade. As posições defendidas por este influenciador são consideradas sexistas, racistas e homofóbicas, escreve o Le Parisien.

Sinais de alcoolismo
“O agressor é um apaixonado pela esfera fascista”, descreve o jornal Libération. Ao mesmo tempo, o autor do tapa na cara de Macron não parece ser um militante aguerrido, só sua ideologia que é bem marcada à direita da direita, acrescenta o diário. Segundo Libération, o agressor de Macron também é um seguidor do rapper de extrema direita Kroc Blanc e de um grupo que é afiliado da rede Les Braves (Os Bravos), do supremacista branco Daniel Conversano.

Para coroar, os serviços de Inteligência franceses notaram sinais de alcoolismo em Damien Tarel.

Depois do tapa na cara, Macron continuou seu giro pelo interior da França. Ele declarou que o ocorrido em Tain-L’Hermitage, no departamento da Drôme, a 550 km de Paris, deve ser relativizado e visto como um “incidente isolado”. Macron sublinhou, no entanto, que a “idiotice associada à violência se torna inaceitável”.

“A vida democrática exige tranquilidade e o respeito de todos, tanto de políticos quanto dos cidadãos. Se o ódio e a violência prevalecem, a democracia é fragilizada”, destacou o presidente francês.

Macron afirmou que continuará indo ao encontro dos franceses, para cumprimentá-los e fazer selfies quando solicitado.

As informações são da RFI