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Requião Filho: Nossos PMs trabalham por amor a farda, querem e merecem respeito

Por Requião Filho*

Se eu falar de professor de novo, vão falar que eu sou repetitivo. Se eu falar dos enfermeiros e médicos, vão dizer que estou surfando na onda do Covid. Então, para falar dos 133 mil funcionários públicos efetivos do Paraná, hoje vou usar o exemplo da polícia.

Nunca imaginei viver para ver certas atrocidades que têm acontecido na atualidade. Além de todo descaso com a saúde pública, com a educação, com a segurança, a questão econômica vem descendo ladeira abaixo. A culpa é de quem promove a alta dos juros, dos impostos, de quem diminui o poder de compra das pessoas, com redução ou estagnação de salários, sem direito a vislumbrar uma luz no fim do túnel.

No Paraná, há semanas policiais da reserva se aglomeram em frente ao Palácio Iguaçu esperando uma chance de serem ouvidos. E tudo o que conseguem é uma espécie de bônus, caso trabalhem um pouco a mais, além do horário. É revoltante!

Mas de modo geral, por não conhecer a realidade dos policiais do Paraná, o Governador acha que eles querem seus aumentos de salários pensando numa valorização financeira. Algo que lhes permita tirar férias em Santa Catarina, Nova York ou no Japão… Mas não, Governador! O problema não é o luxo, é a fome.

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Não adiantar fazer gestão de acordo com sua própria régua, que nem compara o preço do leite, que não diferencia um de 2 reais e outro de 15, a não ser pela qualidade.

Nossos policiais hoje contam moedas para levar o pão para suas casas, correm riscos diários nas ruas trabalhando por amor a farda. O que eles querem é respeito, condições dignas e progressão na carreira, para que possam trabalhar sem se preocupar se sua família poderá ou não comer. Estão há seis anos com seus salários congelados, enquanto produtos básicos de subsistência, de alimentos a serviços de água e luz, se tornam cada vez mais caros.

Nossos policiais enfrentam longas jornadas, com escalas de trabalho desgastantes, aliadas a falta de efetivo, condições precárias e inúmeras operações midiáticas que sugam o sangue da tropa.

Nossos PMs estão doentes e esgotados. Isso sem contar outros profissionais que servem ao Estado. Mas hoje, em especial, me dirijo aos policiais que lutam para manter o orgulho que têm da sua própria farda e sequer podem voltar a sonhar com alguma progressão na carreira. Perderam seu poder de compra, com o salário que recebem, de tal forma, que hoje não compram um quarto do que conseguiam há seis ou sete anos atrás para manter sua família.

Trabalhar mais e em péssimas condições não vai resolver o problema, só fará mais casos de depressão e morte, deixando a população desamparada.

Precisamos de alguma ação urgente, ao invés de fechar os olhos para quem merece RESPEITO, DIGNIDADE E PROMOÇÃO!

*Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.