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Presidente da Anvisa pode entrar na linha de fogo do Planalto após contrariar Bolsonaro na CPI da Covid

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, contrariou o presidente Jair Bolsonaro em suas principais bandeiras defendidas na pandemia, tais como uso da cloroquina, tratamento precoce e aglomeração.

O dirigente da Anvisa ainda reconheceu que Brasil enfrenta dificuldade para adquirir insumo farmacêutico ativo (IFA) da China e da Índia, em virtude de declarações de Bolsonaro e seus filhos contra o país asiático. “Esses países influenciam em mais de 50% a produção mundial de medicamentos”.

Barra Torres presta depoimento nesta terça-feira (11/5) à CPI da Covid no Senado. Ele ainda é inquirido sobre possíveis omissões do governo na compra de vacinas e da demora da Anvisa na autorização de imunizantes.

O depoente se opôs a declarações negacionistas do presidente e Barra Torres disse pensar que “a população não deva se orientar por condutas dessa maneira”.

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O presidente da Anvisa afirmou também aos senadores que é contra o uso de cloroquina no tratamento da Covid e confirmou, com sua veemente oposição, a tentativa de alteração de bula do remédio proposta pelo Planalto.

A CPI da Covid estuda quebrar sigilo telefônico e telemático do presidente da Anvisa, Barra Torres, para verificar se ele foi pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro ou por outro integrante do governo para retardar a importação de vacinas.

Neste segunda-feira (10/5), a pedido do governo do Maranhão, o ministro do STF Ricardo Lewandowski terminou manifestação da Anvisa em 48h sobre a importação da vacina russa Sputnik V.

Por contrapor-se ao presidente Bolsonaro, ao menos na comissão de inquérito, o presidente da Anvisa pode entrar na linha de fogo do Palácio do Planalto. Pretextos não faltam…

O tempo de vigência de um diretor na Agência é de cinco anos anos, sem possibilidade de recondução (04/11/2020 a 21/12/2024).

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