Lula e o PT respeitaram a democracia, diz Miriam Leitão

  • Colunista da Globo afirma que não faz sentido algum comparar Lula com o extremismo de Bolsonaro

A jornalista Miriam Leitão, colunista do Globo, reconhece que o ex-presidente Lula e o PT respeitaram o jogo democrático enquanto o presidente Jair Bolsonaro faz apologia à ditadura militar.

Segundo a articulista do Globo, ao defender a legitimidade na busca da terceira via, não faz sentido algum comparar Lula com o extremismo de Bolsonaro.

“O PT jogou o jogo democrático, Bolsonaro faz a apologia da ditadura”, escreveu Miriam, ao lembrar que é vítima de constantes fake news, agressões do gabinete do ódio e ser criticada por Lula e pelas mentiras de Bolsonaro.

Para a jornalista, Jair Bolsonaro superou que há de pior no país. Ela destaca o deboche diante do sofrimento alheio, disseminação do vírus, criação de conflitos, autoritarismo.

“O país chegou ao número inaceitável de 400 mil mortos com um presidente negacionista ameaçando usar as Forças Armadas contra a democracia”, fulminou a colunista do Globo.

“O ex-presidente Lula teve uma política ambiental de excelentes resultados na gestão da ministra Marina Silva e do ministro Carlos Minc. O país viu avanços na inclusão de pobres e negros. Na economia, houve erros e acertos. No campo institucional, escolheu ministros do Supremo qualificados e nomeou procuradores-gerais da lista tríplice”, testemunhou Miriam Leitão, que então compara: “Bolsonaro quer devastar a floresta, capturar as instituições e seu governo exibe preconceito como se fosse natural.”

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A jornalista e comentarista da Rede Globo de Televisão ainda recordou que Bolsonaro faz ataques sistemáticos aos veículos de imprensa e aos jornalistas.

“Lula ameaçou impor o que ele chamou de “regulação da mídia”, mas recuou diante da resistência dos órgãos de comunicação. Ameaças nunca devem ser subestimadas, mas as instituições sabem lidar com um governante que tenha um mau projeto. Mais difícil é se defender de um inimigo da democracia como Bolsonaro”, disparou.

Miriam escreveu que as decisões recentes do STF tiraram as penas que recaíram sobre Lula e ele tem dito que foi inocentado. Tecnicamente sim, afirma ela, porque não é mais um condenado pela Justiça. “O PT defende a tese de que foi tudo uma conspiração contra o partido. Falta explicar muita coisa, mas principalmente a materialidade do dinheiro que foi devolvido por corruptos e corruptores ao poder público.”

Por outro lado, aponta a jornalista do Globo, Bolsonaro usou o sentimento anticorrupção sem o menor mérito, como se vê na sucessão de rachadinhas, funcionários fantasmas, pagamentos em dinheiro vivo e transações imobiliárias que rondam a família. “Isso sem falar nas relações estreitas com personagens obscuros, como o miliciano Adriano da Nóbrega.”

Para Miriam Leitão, não existe uma extrema-esquerda no país, mas existe Bolsonaro, que é de extrema-direita. “No governo, ele multiplicou as mortes da pandemia e sempre deixa claro que se puder cancela a democracia”, concluiu.