Chile: oposicionistas e independentes lideram apuração em eleição para Constituinte

Sputnik – Com mais de 80% das urnas apuradas, os candidatos oposicionistas e independentes devem garantir maioria na Assembleia Constituinte do Chile, com cerca de 100 cadeiras de um total de 155.

De acordo com dados revelados até as 23h38 deste domingo (16) pelo Serviço Eleitoral (Servel), com 87,95% dos votos apurados, as coalizões do campo da centro-esquerda obteriam 52 cadeiras, enquanto os independentes somariam 48.

Por sua vez, os candidatos da coalizão governista do presidente Sebastián Piñera, e outros candidatos do campo da direita, seriam os grandes derrotados do pleito.

Segundo os dados do Servel, os candidatos da lista Vamos pelo Chile, que reúne partidos governistas e candidatos independentes da centro-direita, não chegaria a 40 assentos e ficaria bastante distante dos 52 necessários para obter um terço da Constituinte.

LEIA TAMBÉM
Israel endurece bombardeios contra Faixa de Gaza; mais de 200 palestinos morreram em sete dias

Bernie Sanders sugere cortar US$ 4 bilhões em ajuda militar a Israel por violações a direitos humanos em Gaza

CPI da Covid mira na compra de cloroquina pelo governo Bolsonaro

O presidente chileno, por sua vez, afirmou em uma coletiva de imprensa neste domingo (16) no Palácio de la Moneda, a sede do Executivo, que a população enviou uma mensagem dura e clara nestas eleições para o governo e as forças políticas tradicionais.

“Os eleitores enviaram uma mensagem forte e clara ao governo e às forças políticas tradicionais, de que não estamos sintonizados adequadamente com as demandas e os anseios da população”, disse Sebastián Piñera.

O presidente Sabastián Piñera realiza o encerramento de um dia histórico para o Chile.

Além disso, o presidente declarou que o resultado ruim de sua coalizão, e dos candidatos da direita, em comparação com os partidos de oposição e, principalmente, com os independentes, mostra que a população chilena deseja novas lideranças.

“As pessoas nos desafiam e buscam novas expressões e novas lideranças, e é nosso dever como governo ouvir com humildade e atenção essa mensagem, e se esforçar para fazer tudo o que for necessário para interpretar essas demandas”, acrescentou.

A Assembleia Constituinte começará a funcionar ainda este ano e será responsável por redigir a nova carta magna de Chile, que substituirá a atual promulgada em 1980, durante o regime ditatorial do general Augusto Pinochet.

De acordo com o regimento da Constituinte, cada norma deverá ser aprovada por dois terços dos 155 legisladores, por isso é de vital importância que as forças políticas tenham pelo menos um terço das cadeiras.

A votação para a Assembleia Constituinte aconteceu durante dois dias, sábado (15) e domingo (16), e fez parte da chamada “megaeleição”, devido à grande quantidade de cargos em disputa, com 345 prefeitos, 2.252 vereadores, 16 governadores regionais e 155 deputados constituintes.

De acordo com a determinação do Serviço Eleitoral, primeiro serão apurados os votos dos candidatos à Assembleia Constituinte, seguido por governadores, prefeitos e, por último, os vereadores.