Roberto Requião: O Programa do PT

O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), provocado, fez uma análise crítica do programa econômico do PT. “Eu mandei para o Lula e à presidenta do partido, Gleisi Hoffmann”, disse.

O emedebista disse que ficou assustado com a entrevista do ex-presidente Lula. “Ele disse que vai privatizar a Caixa, única empresa pública no Brasil”, criticou.

Ao Blog do Esmael, Requião disse que o ministro Paulo Guedes e o ex-ministro Henrique Meirelles assinariam o programa econômico petista. “Até o Joe Biden [presidente dos EUA]”, ironizou.

“É surpreendente o caráter conservador do programa econômico do PT”, avaliou Requião.

“Companheiro Lula, não é por aí”, repreendeu o ex-senador do MDB.

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Leia a íntegra do texto [abaixo, assista ao vídeo]:

O Programa do PT

É surpreendente o caráter conservador do programa econômico do PT. Contra tudo o que está acontecendo no mundo, ele tem como âncora explícita o “equilíbrio macroeconômico”, como se igualdade entre despesas e receitas públicas fosse o santo Graal da economia política. Ao contrário do que estabelece essa visão, desequilíbrio macroeconômico é o padrão universal no mundo atual e receita keynesiana permanente para economias em recessão.

Isso mais do que se justifica, pois, se a economia está em recessão, o desequilíbrio macroeconômico pelo lado do aumento das despesas públicas, acima da receita, pode financiar a economia, sem inflação, até o esgotamento da capacidade ociosa, e enquanto houver demanda inferior à oferta. É o que fazem, apenas para citar dois exemplos paradigmáticos, os Estados Unidos e a China. Se agregarmos a isso planejamento econômico estratégico, garantimos um horizonte de prosperidade ao país.

Há uma péssima reflexão entre os economistas brasileiros relativamente ao período de grande prosperidade econômica dos anos 70. A chave da expansão foi o gasto público deficitário.

O processo resultou em inflação porque os liberais forçaram a retirada do controle de preços (CIP), soltando as rédeas da inflação. O que se faz hoje, com o chamado teto orçamentário, filiado ao conceito de equilíbrio macroeconômico, leva o Brasil para além do suicídio em que já se encontra.

A pergunta que se faz relativamente ao tema é a seguinte: por que financistas e economistas de mercado resistem tanto ao déficit público mesmo numa situação de recessão?

A explicação é simples: o déficit público joga dinheiro na economia, favorecendo o setor empresarial produtivo, mas contraria os interesses do sistema financeiro. Ele pressiona para baixo a taxa de juros, notadamente a taxa de juros de remuneração da dívida pública, por onde escoam bilhões de reais e dólares em favor dos banqueiros.

Assista ao vídeo: