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Revista Veja põe Lula na capa e anuncia a volta do ex-presidente ao jogo

  • Para Gleisi Hoffmann, a justiça será completada com a confirmação da suspeição de Sergio Moro pelo plenário do STF

Na verdade, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nunca esteve fora do jogo. Até mesmo quando ficou injustamente preso por 580 dias, em Curitiba, o petista influenciou na disputa presidencial de 2018. Ele indicou o então desconhecido nacionalmente Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, para fazer 47% das intenções de voto no segundo turno.

A capa da publicação da revista Veja desta semana reporta a decisão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (15/4), que confirmou a incompetência do ex-juiz Sergio Moro e da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar Lula. Com a decisão, as condenações do ex-presidente na Lava Jato foram anuladas e o petista recobrou seu direito de disputar a Presidência em 2022.

“Moro não causou injustiça só a Lula, mas ao Brasil”, disse a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). Para a dirigente petista, a inocência de Lula é o primeiro passo para que a desconstrução do país feita pela Lava Jato seja esclarecida para que nunca mais volte acontecer.

“A injustiça não foi causada só ao presidente Lula, a injustiça foi causada ao Brasil. Porque, nessa operação, o juiz Sergio Moro, no afã de desconstruir uma figura como a do presidente Lula, não titubeou em desconstruir o país. Desconstruiu a Petrobras, entregou nossos segredos para as agências internacionais. É só ler o (jornal francês) Le Monde desta semana para saber as articulações que foram feitas”, declarou Gleisi, uma das sócias na vitoriosa estratégia de defesa liderada pelo advogado Cristiano Zanin Martins.

Segundo a revista Veja, Lula e aliados articulam em busca de apoios nas mais variadas frentes, dos templos evangélicos à Faria Lima –endereço de São Paulo que concentra banqueiros e especuladores, que tanto mal fazem ao País.

Lula ressurge das cinzas, como Fênix, e, em viés de crescimento, lidera todos os cenários de pesquisas. A última, da DataPoder, o ex-presidente liquida a fatura com 52% das intenções de voto no segundo turno contra o presidente Jair Bolsonaro, que teria minguados 34%.

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Moro, além de incompetente, já foi declarado também suspeito pela Segunda Turma do STF, lembrou Gleisi. “Além de incompetente, um juiz suspeito, um juiz que teve lado, um juiz que articulou dentro do processo para julgar um homem que ele não podia julgar”, definiu, antes de apontar o pior legado deixado por Moro: a presidência de Jair Bolsonaro.

“(Moro) nos legou o que há de pior, um presidente da República que não tem condições de ser presidente. Não dá conta do recado e, muito pelo contrário, atenta contra a saúde e a vida das pessoas e não faz a gestão correta da pandemia. Então a condenação de Lula e todo esse processo foi ruim para ele, foi injusto, foi ruim para nós, mas sobretudo foi ruim para o Brasil, o que é muito triste”, afirmou a deputada federal.

E é justamente por conta da tragédia que afeta o país, onde morre o equivalente a uma pequena cidade por dia, que o Partido dos Trabalhadores e Lula evitam discutir as eleições de 2022 agora. “Não estamos no momento de falar em eleições. Estamos no momento em que o presidente Lula usa sua liderança para aglutinar os setores mais variados da política brasileira para a gente tentar sair dessa crise, ter uma alternativa para o Brasil. Não dá para continuar assim e esse é o papel do presidente Lula.”

Na próxima quinta-feira (22/4), o plenário do STF coloca no banco dos réus o ex-juiz Sergio Moro. O colegiado da corte, a exemplo do que fez com a anulação das condenações de Lula, agora também examinará a suspeição do ex-chefe da Lava Jato. Ou seja, o pecador vai a julgamento.