malafaia e bolsonaro

Renan promete respostas na CPI da Covid enquanto Bolsonaro recorre a Malafaia

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, disse que “tem muita coisa já produzida no que se refere a provas, a postagens, a atos publicados”, e que cabe agora à comissão de investigação “dar as respostas que a sociedade cobra”. Renan ainda garantiu que conduzirá sua ação sempre baseado nos valores do estado democrático de direito, sem perseguições.

“A CPI investiga se por ação, omissão, desídia ou irresponsabilidade alguém colaborou para que a matança avançasse. Vamos apurar, mas com critérios. Só valerão provas efetivas. Não vamos condenar por convicção ou fazer power points contra ninguém”, reiterou o senador, repetindo o que disse durante a reunião de instalação da comissão.

Bolsonaro recorre a Malafaia

Se por um lado Renan promete respostas à sociedade, com dureza nas investigações, por outro, o presidente Jair Bolsonaro, acuado, recorre ao pastor Silas Malafaia.

O presidente pediu para que o religioso articule eventos de desagravo nos próximos dias, quando a temperatura política deverá se elevar ao ponto máximo.

Na pandemia, as igrejas entraram na agenda porque o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou proibição para a realização de cultos e missas para conter o avanço do vírus.

Bolsonaro, assim como os pastores, criticam restrições impostas por prefeitos e governadores.

Leia também

Documento da Casa Civil

Também durante a entrevista, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que o curso das investigações pode fazer com que a CPI solicite formalmente à Casa Civil o documento, cuja existência foi revelada pela imprensa no final de semana, em que são listadas 23 acusações que o governo deve sofrer no decorrer dos trabalhos.

“Foi uma contribuição importante do governo para ajudar nas investigações. Aponta alguns aspectos que estarão em nosso plano de trabalho, e a questão dos povos indígenas, que estava passando ao largo. O roteiro da Casa Civil é uma colaboração para as investigações, e talvez seja necessário e de bom tom solicitarmos oficialmente este roteiro”, disse Randolfe.

Requerimentos

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), informou que na reunião de quinta-feira (29/4) deverão ser aprovados os requerimentos para que sejam ouvidos os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, além do atual, Marcelo Queiroga. Também deverão ser aprovados requerimentos com solicitação de informações ao governo. Aziz ainda destacou o caráter propositivo que, a seu ver, a CPI terá.

“Mais que apontar culpados, a sociedade espera soluções práticas para a vacinação, falta de oxigênio, de kits hospitalares, medicamentos, UTIs e EPIs. Esta CPI será diferente de todas que vocês já viram, porque pesquisas mostram que é a CPI que está praticamente na casa de todos os brasileiros”, disse Aziz em referência à pandemia.