Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann: A dimensão histórica da vitória judicial de Lula

  • “Lula foi perseguido porque sua trajetória e seu governo deram sentido concreto à palavra democracia”, escreve a presidenta do PT Gleisi Hoffmann

Por Gleisi Hoffmann*

Nunca houve uma campanha de perseguição tão cruel e sistemática contra um líder político do povo como a que foi desencadeada contra o presidente Lula pelas forças mais poderosas e reacionárias do país nos últimos cinco anos.

Nunca tantos agentes e instrumentos foram mobilizados de forma sincronizada e determinada, dentro e fora do país: um setor engajado do sistema judicial incrustado em todas as instâncias, incluindo o procurador-geral da República; a Globo e as redes de TV, os maiores jornais e revistas; partidos políticos, associações empresariais e corporações das elites; manipuladores da fé e fabricantes de mentiras; procuradores e até diplomatas de potências estrangeiras. Todos contra Lula.

Nunca foi tão nítido o ódio de classe concentrado contra uma só pessoa: um líder que nasceu e cresceu entre as camadas mais pobres da população, um legítimo filho da maioria excluída historicamente dos direitos de cidadania, da representação política e do processo social no Brasil. Um líder que, vindo das lutas populares, lançou a semente do Partido dos Trabalhadores para que o povo tivesse sua própria voz e fizesse história com as próprias mãos.

Lula foi perseguido porque desafiou o preconceito e a mentalidade escravagista dos que sempre mandaram neste país. Porque seu governo cuidou primeiro de vencer a fome, olhou primeiro para os que tinham sede, que pediam terra, trabalho, escola, saúde e justiça. Porque cumpriu o compromisso com a soberania e fez do Brasil um protagonista mundial em todos os setores, contrariando interesses econômicos e projetos geopolíticos. Lula foi perseguido porque sua trajetória e seu governo deram sentido concreto à palavra democracia.

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Foi para excluir esta liderança popular do processo político e até da memória do país que se juntaram tantos elementos de força em torno da farsa judicial finalmente encerrada ontem, num histórico 22 de abril, pela maioria do Supremo Tribunal Federal. Como em todas as etapas desta farsa, também este julgamento é excepcional, pois trata-se de levar a uma quinta instância, inexistente na Constituição e no Regimento do STF, um caso já julgado pelo próprio Supremo, que foi a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Mas o fato é que a Justiça foi feita afinal.

Foi realmente, como disseram os advogados de Lula, uma vitória do direito contra o arbítrio. Uma vitória construída na luta, na irresignação frente aos abusos, na solidariedade nacional e internacional a Lula e à causa da justiça. O PT renova o reconhecimento e a gratidão a todos que contribuíram para que esta vitória se tornasse possível, contra tudo e contra todos que tentaram fazer a história andar para trás.

É imenso e irreparável o custo desta perseguição; para Lula pessoalmente, que ficou 580 dias preso ilegalmente, teve perdas e sofrimentos irreparáveis; para o Brasil, que teve o Judiciário desacreditado por setores corrompidos do próprio sistema judicial; para setores estratégicos da economia brasileira e para a própria soberania nacional. E principalmente para o povo brasileiro: os milhões condenados ao desemprego pela perversidade da Lava Jato e o conjunto da população governada por um presidente que só foi eleito por causa da cassação ilegal, violenta e arbitrária de Lula em 2018.

Ainda vamos tirar muitas lições deste processo em que os instrumentos e instituições da democracia foram manipulados contra a própria democracia. Que nunca mais isso venha ocorrer.

A lição mais relevante neste momento é que vale a pena lutar, que valeu cada mobilização, cada gesto de indignação e de resistência para tornar Lula Livre, plenamente livre, com sua inocência das acusações falsas reconhecida na mais alta corte do país. Valeu a pena lutar para que o Brasil e o povo brasileiro voltem a ter confiança em nossa força e esperança de mudar.

Como disse o companheiro Lula no dia em que partiu para sua prisão injusta: ninguém é capaz de prender uma ideia. E a ideia de um país mais justo, solidário, soberano, capaz de vencer a desigualdade e a injustiça, está renovada e fortalecida nesse dia de vitória. Hoje começa uma nova etapa na história do Brasil e das lutas do nosso povo. E o PT está presente nestas lutas, fazendo história com o nosso povo.

Lula Livre!

Justiça para o Brasil e para o povo brasileiro!

*Gleisi Hoffmann é presidenta nacional do PT, deputada federal pelo Paraná.