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Cuba: Adeus, Raúl Castro

Na próxima segunda-feira, 19 de abril, entrará na história com a renúncia do general de Exército, Raúl Castro, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista de Cuba (PCC). O partido realiza seu 8º Congresso de hoje até segunda-feira.

Aos 89 anos, Raúl anunciou que irá se aposentar, cuidar dos netos e ler bastante “durante os 60 anos que ainda lhe restam” de vida útil.

O irmão mais novo de Fidel Castro, morto em novembro de 2016, quando assumiu a presidência da ilha caribenha. Raúl ficou no comando até a eleição de Miguel Díaz-Canel, de 60 anos, que vai acumular o cargo de secretário-geral do PCC.

Muito provavelmente, se Lula vencer 2022 e a saúde lhe permitir, Raúl Castro visitará o Brasil para a posse de seu companheiro de “Foro de São Paulo”.

Líder supremo da revolução cubana

Raúl Castro formalmente assumiu o poder quando seu irmão adoeceu em 2009. Na época, o irmão mais novo foi eleito chefe do Conselho de Ministros e do Conselho de Estado em Cuba, o que lhe deu um poder real no país. Sua base de poder sempre esteve com as forças armadas [exército, marinha e aeronáutica] e isso foi levado a sério quando ele assumiu o poder.

O ainda secretário-geral do PCC tentou modernizar a economia cubando abrindo para investimentos estrangeiros, reformulação monetária, em contraste com o rigor ideológico de Fidel.

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A data 19 de abril foi escolhida a dedo para o encerramento do congresso do Partido Comunista de Curitiba porque será o 60º aniversário da proclamação do caráter socialista da Revolução, declarado por Fidel Castro.

Segundo os líderes do partido, mais uma vez Cuba ratificará a irrevogabilidade de sua obra emancipatória e, conforme expressado pela convocação do conclave do partido, ele reiterará perante o mundo sua “irredutível convicção de vitória”.

Sobre Raúl Castro

O irmão mais moço de Fidel se notabilizou por ser um negociador habilidoso e um soldado implacável em relação aos inimigos, logo ficou bem claro seu papel. “Fidel é insubstituível, a menos que o substituamos todos juntos”, disse ele depois de assumir o poder interinamente, quando o irmão adoeceu em 2009.

Atuando nos bastidores, Raúl foi fundamental para obter o apoio da União Soviética após o triunfo da revolução em 1959, graças às amizades que fez em suas viagens na juventude. Mas já tinha outros feitos. Foi ele quem pegou a arma de um sargento para libertar seus companheiros depois do ataque fracassado no quartel de Moncada em 1953.

Com a queda de Fulgencio Batista, enquanto Fidel estava encarregado das funções do governo, Raúl estruturou os dois pilares institucionais da revolução cubana: o Partido Comunista e as Forças Armadas Revolucionárias (FAR), necessários para seus planos.

Cuba desenvolve 5 vacinas contra a Covid-19

Submetida a um brutal embargo econômico imposto pelos EUA, Cuba vem servindo de exemplo de resiliência, especialmente na resposta científica à pandemia do novo coronavírus. Em fase final de testes, duas vacinas contra a Covid-19, desenvolvidas na ilha caribenha, podem ser as primeiras criadas e produzidas na América Latina. De acordo com cientistas cubanos, a Soberana 02 e a Abdala poderão ser liberadas pela Agência Nacional Reguladora de Cuba para imunizar toda a população cubana já nos próximos meses.

A Abdala vem sendo aplicada em 48 mil voluntários em três doses, com intervalos de duas semanas entre elas. Já a Soberana 02 obedece a intervalos mais longos, de cerca de quatro semanas entre as três doses. Os laboratórios da BioCubaFarma enviaram mais 300 mil doses da Soberana 02 e Abdala. Os centros têm capacidade para produzir 100 milhões de vacinas até o fim do ano, anunciaram os diretores dos laboratórios. O plano do governo é iniciar a vacinação em massa em julho.

“Os resultados até agora são alentadores: as duas candidatas a vacinas demonstraram ser seguras e capazes de gerar anticorpos específicos contra o vírus. Estamos otimistas”, disse o vice-presidente do grupo BioCubaFarma, Eulogio Pimentel.

Privilégio proporcionado pela revolução

Segundo reportagem do El País, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica como um privilégio o fato de um país das dimensões de Cuba ter desenvolvido cinco protótipos de vacinas, sendo que dois deles se estão na etapa final de ensaios clínicos.

“Não se trata de nenhum milagre: existe um notável desenvolvimento científico em Cuba e uma experiência de 30 anos em fabricar vacinas”, declarou o representante da OPAS em Cuba, José Moya, ao El País. Ele lembrou que o nível de excelência científica cubana é uma tradição. Basta observar que a ilha foi a primeira nação a ter vacina contra a menigite.

Outro exemplo citado por Moya foi o desenvolvimento, no início dos anos 90, de uma vacina contra a hepatite B, utilizada na América Latina e na África. Além disso, as vacinas cubanas apresentam uma boa margem de segurança, aponta o técnico, pelo fato de utilizarem plataformas familiares e serem mais facilmente armazenadas.

“Vacinas deste tipo são as mais tradicionais e seguras, além de terem a vantagem de poderem ser conservadas em uma temperatura de 2 a 8 graus”, observou José Moya.

Ele credita parte do sucesso das iniciativas cubadas ao Centro para o Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos, cujo rígido controle de qualidade transformou-o em referência na América Latina. O centro será responsável pela autorização para uso emergencial e definitivo da Soberana 02 e da Abdala.