requiao filho fila desemprego

A máscara dos números para fazer parecer menos feio

  • Dados alterados demonstram eficiência que não existe

Por Requião Filho*

“Registramos o maior número de empregos, vejam como nosso Estado é eficiente”, diz a propaganda… mas só a propaganda. Saia na rua, nos bairros e pergunte ao cidadão comum se, de fato, estão trabalhando com carteira assinada. Pois é… contra fatos é difícil convencer com um discurso tão raso e mentiroso.

Atualmente, vemos o Presidente Bolsonaro junto ao seu fiel escudeiro Ratinho Jr. comemorarem essa suposta ampliação de empregos no país e no estado, baseados nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, que nos últimos anos foi alterado para mascarar a real situação. Chamado de “Novo Caged”, o órgão passou a incluir nesse novo levantamento, os empregados temporários em regime intermitente, parcial e teletrabalho (imaginem agora quantos estão nessa última categoria na atual pandemia). Desde 2020, o governo decidiu ampliar esse escopo, trazendo também aqueles que foram desligados por acordo com o empregador, somando seus dados aos do eSocial e do Empregador Web. No eSocial, por exemplo, são registrados bolsistas, temporários, autônomos, agentes públicos e dirigentes sindicais.

É de chorar de tão burra esta manobra, mas muita gente prefere fazer que nada vê! Minhas professoras de história e geografia do colégio devem estar, nesse momento, cortando seus pulsos, pois a turma dos espertalhões do fundão venceu!

Leia também

Pois é, minha gente. Não é só uma questão de interpretação, mas é fato e se nossa geração não imaginava tanto retrocesso, sim, ele está ocorrendo em pleno 2021.

A partir da portaria nº1.127 de 14 de Outubro de 2019, o governo alterou as regras do jogo para que pudessem fazer propaganda de uma eficiência que não existe. Equiparam pessoas físicas com empresas e o governo do Paraná aproveita para fazer o que sabe bem, paga suas agências e divulga o número mágico que só existe no papel, mas não no prato do paranaense.

Para você ter ideia, apenas analisando um tipo de contratação, constatamos que a locação de mão-de-obra temporária representa 17,29% do todo do saldo positivo do Paraná, quase uma a cada cinco pessoas são contratadas para um serviço e não tem garantia de comida na mesa todos os meses. Além disso, mais 7,53% dos empregos criados são na forma de aprendiz! Sim, o governo contabiliza como emprego vagas de aprendiz, que pouco contribuem pra renda familiar e dificilmente pagam um salário mínimo. Ou seja, mais de 25% da propaganda do Paraná é uma falácia, contada para vender o peixe mais caro do peso que ele tem.

Quem paga a conta somos nós, com uma legião de iludidos, morando num circo onde no picadeiro reina a esperteza, a mentira, e o mágico ilusionista de números que passou de ano colando na escola. Que belo futuro teremos pela frente… #sqn.

*Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.