Sergio Moro divulga nota oficial após ser declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal

O ex-juiz Sergio Moro, após declarado suspeito, divulgou nesta quarta (24/3) uma nota oficial sobre a decisão do STF.

No texto, Moro omite que sua suspeição foi acolhida pelo tribunal e divide a responsabilidade da prisão ilegal do ex-presidente Lula com TRF4, STJ e STF.

O ex-juiz repete a ladainha de que a lava jato supostamente recuperou R$ 4 bilhões, no entanto, ele não menciona que o país perdeu mais de R$ 175 bilhões por causa das fanfarrices da força-tarefa.

Na prática, Moro ainda chama a maioria dos ministros da 2ª Turma do STF de “mentirosa” ao dizer que agiu com imparcialidade. O colegiado, por 3 votos a 2, disse que o ex-juiz foi parcial e perseguiu politicamente o ex-presidente Lula.

Sergio Moro não abordou a acusação de conluio com procuradores da força-tarefa de Curitiba e de praticar fraude processual.

A 2ª Turma reconheceu a inocência de Lula e acordou que Moro cometeu crime ao imputar ilícitos ao petista com objetivo político.

A seguir, leia a íntegra dos devaneios do ex-juiz Sergio Moro.

Nota Oficial de Sergio Moro:

Sobre o julgamento da 2ª Turma do STF que, por três votos a dois, anulou a condenação do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro:

A Operação Lava Jato foi um marco no combate á corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil e, de certo modo, em outros países, especialmente da América Latina, colocando fim à generalizada impunidade destes crimes. Mais de quatro bilhões de reais pagos em subornos forma recuperados aos cofres públicos e quase duas centenas de pessoas forma condenadas por corrupção e lavagem de dinheiro.

Todos os acusados forma tratados nos processos e julgamentos com o devido respeito, com imparcialidade e sem qualquer animosidade da minha parte, como juiz do caso.

Apesar da decisão da segunda turma do STF, tenho absoluta tranquilidade me relação aos acertos das minhas decisões, todas fundamentadas, nos processos judiciais, inclusive quanto aqueles que tinham como acusado o ex-Presidente.

A sentença condenatória contra o ex-Presidente foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região e pelo Superior Tribunal de Justiça que, igualmente, rejeitaram as alegações de falta de imparcialidade. O ex-Presidente só teve a prisão ordenada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 2018, após ter habeas corpus denegado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.

O Brasil não pode retroceder e destruir o passado recente de combate à corrupção e à impunidade e pelo qual foi elogiado internacionalmente.

A preocupação deve ser com o presente e com o futuro para aprimorar os mecanismos de prevenção e combate á corrupção e com isto construir um país melhor e mais justo para todos.

Curitiba, 24 de março de 2021.
Sergio Fernando Moro

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