Para o PT, escândalo da rachadinha chega a Jair Bolsonaro

  • Petistas reverberam reportagem especial do UOL, que mostra funcionários do gabinete de Bolsonaro, quando ele era deputado, realizando inúmeras movimentações bancárias típicas da prática ilegal

Vários dos investigados no caso das rachadinhas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando ele era deputado estadual trabalharam também para o pai, Jair Bolsonaro, quando este era deputado federal, e do irmão e vereador, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). E, da mesma forma como ocorria com Flávio, ao trabalhar com Jair e Carlos, esses funcionários realizaram uma série de movimentações bancárias típicas do esquema ilegal, mostra uma série de matérias publicada pelo UOL, que teve acesso à quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas e empresas ligadas a Flávio.

Segundo o PT, a reportagem praticamente comprova que a rachadinha é um hábito da família Bolsonaro, incluindo do atual presidente, que foi deputado federal por 24 anos. O UOL mostra, por exemplo, que Jair Bolsonaro empregou em seu gabinete na Câmara, entre 1998 e 2006, Andrea Siqueira Valle, irmã de sua segunda mulher, Ana Cristina Siqueira Valle.

O salário de Andrea era depositado em uma agência bancária que fica no Congresso Nacional. Um ano e dois meses depois que ela deixou de trabalhar para Jair, restavam na conta o equivalente a R$ 110 mil, feitas as correções monetárias. Pois todo esse dinheiro foi, então, transferido para uma conta de Ana Cristina, que ainda era mulher de Jair Bolsonaro.

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Outro caso suspeitíssimo envolve a personal trainer Nathália Queiroz, filha do já conhecido Fabrício Queiroz. Depois de trabalhar nove anos no gabinete de Flávio na Alerj, ela foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou até 2018. Os dados mostram que Nathália ficava com uma mesada de R$ 2 mil do salário que recebia do gabiente de Jair Bolsonaro, e o resto ela transferia para o pai. Foram mais de R$ 150 mil em menos de dois anos.

A quebra do sigilo mostra, ainda, que outros quatro funcionários que trabalharam para Jair Bolsonaro na Câmara retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo. Eles receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil. “As operações em dinheiro vivo são um indício de que a prática ilegal de devolução de salários de assessores também ocorreu no gabinete de Jair Bolsonaro, quando ele exerceu o mandato de deputado federal”, afirma a reportagem, que traz ainda indícios de rachadinha sendo praticadas por Carlos Bolsonaro, com a participação, inclusive, de Leo Índio.

“Deixem o caso seguir”, pede senador do PT
A prática de rachadinha por Flávio e Carlos Bolsonaro continua sendo investigada, apesar das várias tentativas de que sejam enterradas. Jair Bolsonaro, por ser presidente, não pode ser investigado por atos que cometeu antes do mandato. É fundamental, no entanto, que a apuração sobre Flávio e Carlos continue.

Para o senador Paulo Rocha (PT-PA), as revelações do UOL explicam por que Jair Bolsonaro esteve sempre tão preocupado com as investigações sobre Flávio. “Os escândalos parecem não apenas respingar, mas levar a um esquema maior envolvendo a família. Se não têm nada a esconder, que deixem o caso seguir”, afirmou.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) também vê indícios de que a rachadinha constituem um verdadeiro negócio familiar. “Parece que não é só o Flávio Bolsonaro que tem história mal contada com rachadinhas. Há indícios da prática também nos mandatos de Jair Bolsonaro, quando era deputado federal, e Carlos Bolsonaro”, disse.

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