Para Bolsonaro, governar é inaugurar cemitérios e distribuir caixões de defunto

O presidente Jair Bolsonaro é uma espécie de Odorico Paraguaçu dos tempos modernos. Para o mandatário, governar é inaugurar cemitérios.

O Brasil perdeu mais 3.438 vidas nas últimas 24 horas, segundo dados deste sábado (27/3).

De acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o país contabiliza 310.550 mortes por covid-19 e soma 12.490.362 casos de infecção pela doença.

Na peça de Dias Gomes —Odorico, O Bem-Amado—a elite exercia seu poder com truculência, falta de escrúpulos e demagogia. Não deixa nada a desejar ao atual inquilino do Palácio do Planalto.

Na ficção, Odorico Paraguaçu foi eleito prefeito com um slogan em consonância com a necropolítica de hoje: “Vote em um homem sério e ganhe um cemitério”.

Se o problema na imaginária Sucupira era que ninguém morrida e, por isso, a obra não conseguia ser inaugurada, no Brasil de Bolsonaro é ao contrário: morre mais gente que a quantidade de vagas nos cemitérios.

“Faltavam cadáveres em Sucupira, e era divertido. No Brasil de Bolsonaro, faltam caixões, e dá muita raiva”, comparou o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), em dezembro de 2020.

A previsão é que até junho próximo morram mais de 5 mil pessoas diariamente por causa da covid e, até lá, mais de 500 mil brasileiros tenham morrido devido à negligência estatal.

Mulher mantém corpo da mãe na sala por falta de vaga em cemitério” ou “Corpo passa 15 dias na casa da família por falta de vagas nos cemitérios”, dizem as manchetes no começo de março, que indicavam os casos no serviço necrológio.

O problema é que se não resolver a situação meio –vacinação, distanciamento social, auxílio emergencial, oxigênio medicinal e leito de UTI nos hospitais—vai aumentar a demanda por caixões de defunto e cemitérios.

Daqui a pouco, Bolsonaro terá de prometer cemitérios e caixões para confortar as famílias que perderam seus entes queridos.

A vida imita a arte, portanto.