Ministra Cármen Lúcia sabotou ordem de soltura de Lula sob orientação de Deltan Dallagnol

A então presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, informalmente, sabotou a decisão do desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em julho de 2018, que mandava soltar o ex-presidente Lula –preso político desde 7 de abril daquele ano.

Favreto era plantonista do TRF4 e acatou pedido de habeas corpus apresentado pelos deputados federais petistas Wadih Damous (RJ), Paulo Pimenta (RS) e Paulo Teixeira (SP). No entanto, a decisão durou poucas horas –sem que fosse cumprida.

Segundo novos diálogos obtidos pelos advogados de Lula, por meio de arquivos da Operação Spoofing, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, revelou que “Cármen Lúcia ligou pra Jungman e mandou não cumprir” decisão de soltar Lula. “Cenário tá bom”, disse o fiscal da lei, referindo-se ao ex-ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungman, no governo Michel Temer.

Não havia decisão judicial que cassasse o habeas corpus concedido pelo desembargador Favreto, do TRF4, mas o submundo operou para manter a prisão política, eleitoral e ilegal de Lula.

“Precisamos que o presidente do TRF suspenda. Vou ligar pra PF pra pedir pra não cumprir. Orientação do Gebran [Neto, desembargador] é que a PF solte se não vier decisão do presidente do TRF”, orienta Deltan Dallagnol, então coordenador da Lava Jato. “Pedi pra PF segurar” a soltura, complementa.

“Falei com [Maurício] Valeixo agora, seguem segurando. Estão em contato com o TRF tbm [também].”

Entre vacilos e titubeios, o presidente do TRF4, Thompson Flores, interveio e determinou que Lula continuasse preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba –onde o petista permaneceu inconstitucionalmente detido por 580 dias.

“É teeeetraaaa. Decisão assinada”, comemorou Deltan Dallagnol.