Minha homenagem póstuma aos 55 anos do MDB – com votos de Ressurreição

Por Requião Filho*

O MDB tentou surfar a onda lavajatista ao mesmo tempo em que, ao assumir a presidência, fez sua militância acatar toda e qualquer decisão nacional. Inclusive decisões que retiravam direitos dos trabalhadores, devaneios frutos de uma agenda imposta pelos bancos, perseguindo aqueles que contrariavam dentro do partido. Tivemos senadores expulsos, ameaças de comissões de ética contra quem pensasse diferente. É esse o MDB que queremos? A ponte para o futuro… levava ao abismo!

O partido calou as vozes progressistas, deixou crescer um conservadorismo que, em muitos Estados, resultou em apoios ao Bolsonarismo e à essa direita raivosa, travestida de populismo. As ambições pessoais tomaram conta do partido, em vez de termos um programa sério, que fosse condizente com a nossa base.

Não temos um projeto de país do MDB e, o que ocorre, é justamente a serventia perante a indivíduos, que criam e orientam regras apenas para sua própria manutenção, enquanto seus militantes sofrem na ponta do país, destinados a viver com migalhas e favores, como pedintes aos detentores do poder. A militância, por sua vez, ao invés de pautar um programa sério de governo, corre com a tigela em mãos a procura de apresentadores, juízes ou famosos, que possam salvar mais quatro anos de cargos. O partido condiciona para que se precise dele e a militância concorda para poder comer.

Aqui no Estado não é diferente, o MDB ainda não reencontrou seu caminho. Com aspirações individuais, governistas – independente de quem seja, vão conquistando o biscoito do dia, apenas para serem chamados de “bons garotos”.

Ser ponte de equilíbrio não é se equilibrar em cima do muro. Pra ser do MDB Velho de Guerra tem que ter pulso!

*Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.