Mídia financeira tenta impedir a candidatura de Lula em 2022, denuncia estudo escocês

Alan MacLeod, da Universidade de Glasgow, na Escócia, apresentou esta semana um estudo denunciando a velha mídia corporativa internacional. Segundo ele, que é especialista em política dos EUA e da América Latina, a imprensa financeira teme que os brasileiros tenham permissão para eleger um presidente de sua escolha –disse ao se referir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em sua página “Fair” na internet, MacLeod afirma à luz da decisão do Supremo Tribunal Federal, que anulou as condenações contra o petista, “a imprensa financeira está muito desapontada com o fato de o político mais popular do mundo estar finalmente livre novamente.”

O escritor escocês destacou as principais manchetes internacionais:

  • “Bolsa de Valores perde 4% e dólar sobe após a anulação dos encargos de Lula”, dizia a manchete da Forbes Brasil (08/03/21).
  • “Os mercados reagiram mal ao anúncio”, escreveu o Financial Times (08/03/21).
  • “Mercados do Brasil, em fundações instáveis, abalados por Lula Bombshell”, registrou a Reuters (09/03/21).
  • “O retorno de Lula adiciona à longa lista de desgraças dos investidores no Brasil”, dizia a manchete da Bloomberg (09/03/21).

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A militância pró-mercado da mídia corporativa fica mais escancarada ainda nos jornalões brasileiros, que o Blog do Esmael faz questão de enumerar abaixo. Note, porém, que a “análise” mais carregada só veio no dia 10.03.2021 após as orientações dos veículos internacionais ligados a Wall Street:

    • EDITORIAL DO ESTADÃO – “A ficha moral de Lula é suja”
    • EDITORIAL DO VALOR ECONÔMICO – “O espetáculo da corrupção”
    • EDITORIAL DA FOLHA – “A barafunda do STF”
    • ANÁLISE DA FOLHA – “Possível candidatura de Lula retarda rompimento do mercado financeiro com Bolsonaro”
    • EDITORIAL DO GLOBO – “Suspeição de Moro não tornará Lula inocente”

Na segunda-feira (08/03/21), dia da decisão do ministro Edson Fachin, que reabilitou Lula, a mídia brasileira se ateve ao factual. Só carregou na tinta no dia 10/03.21, após as pimentas /relatadas pelo escritor escocês Alan MacLeoad. Segundo ele, muitos artigos caracterizaram Lula como “polarizador” – uma palavra-chave da mídia amplamente usada em reportagens sobre o Brasil, que significa “implementar políticas que os ricos não gostam”.

Ele recorda que a imprensa financeira elogiou a eleição do “fascista Bolsonaro” em 2018, citando Financial Times, CNBC, Bloomberg, Economist, Wall Street Journal, dentre outros menos lidos ao redor do mundo.

“Jair Bolsonaro é um populista perigoso, com algumas boas ideias”, disse a revista britânica The Economist (05/01/2019). Já a Bloomberg (30/10/18) informou com entusiasmo que Bolsonaro seria um “presidente extraordinariamente pró-negócios” enquanto o Wall Street Journal se entusiasmou (29/10/2018) ao saudar Bolsonaro como “reformador” “confiável” e um “antídoto” para a ganância e a corrupção do Partido dos Trabalhadores de Lula.

Como se vê, caro leitor, a mídia corporativa financeira internacional é “pé-de-chinelo”, rasa, quanto a brasileira e ambas são do padrão Paulo Guedes. Ou seja, uma porcaria que serve apenas aos interesses dos especuladores espertalhões.

Em um eventual confronto entre Bolsonaro x Lula, em 2022, os jornalões já fizeram uma escolha: irão repetir o apoio ao Capitão Cloroquina.

Portanto, conclui-se, a velha mídia corporativa [brasileira e estrangeira] é contrária à democracia e ao Estado Democrático de Direito. Ela ainda está presa ao passado na doutrina “laissez-faire” do já aposentado liberalismo econômico.