“Follow the money”: Fabricante de hidroxicloroquina recebeu R$ 20 milhões do BNDES em 2020

A bancada de oposição no Congresso acredita que “tem azeitona debaixo dessa farofa” e por isso deverá pedir investigação do recebimento de R$ 20 milhões pela Apsen Farmacêutica, principal fabricante de hidroxicloroquina do Brasil. A informação é da Folha.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) é autor do pedido de CPI da Cloroquina protocolado na Câmara em julho de 2020.

Segundo o jornal paulistano, a empresa farmacêutica é de Renato Spallicci, antigo apoiador do presidente Jair Bolsonaro, que, na pandemia, ganhou o “Capitão Cloroquina” como garoto-propaganda.

A Folha detalha que a bolsonarista Apsen assinou dois contratos de empréstimo com o BNDES em 2020, no total de R$ 153 milhões, para investir em atividades de pesquisa e ampliar sua capacidade produtiva. O valor é sete vezes maior do que o crédito liberado para a empresa nos 16 anos anteriores, complementa o jornal.

O presidente Jair Bolsonaro tem defendido a hidroxicloroquina em suas lives e pronunciamentos públicos a despeito de as autoridades sanitárias assegurarem que o medicamento é ineficaz no tratamento da Covid-19.

O jornalista Marcelo Rubens Paiva, no Twitter, se manifestou sobre os negócios da Apsen com o BNDES: “Aí tem. Follow the money. Problema que o MPF não investiga nada dessa família”, escreveu, pedindo que os procuradores seguissem o dinheiro.

A expressão “Follow the money” –siga o dinheiro, em inglês– foi bastante usada na manhã desta quinta-feira (04), após reportagem da Folha e ainda sob o impacto da compra da mansão de R$ 6 milhões pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado no inquérito das rachadinhas da Alerj.