Como evitar o colapso na Saúde?

Por Arilson Chiorato*

É muito triste o que estamos vivendo, é revoltante. Não é possível ser indiferente diante de tanta dor, de tanto sofrimento. Milhões de brasileiros e brasileiras enfrentaram este vírus e, mesmo os que não vivenciaram, onde há humanidade, sentiram também e sentem diariamente a dor quando se deparam com as notícias.

Costumo dizer que não é uma questão de lado A ou B, é uma questão de humanidade, bom senso, solidariedade, empatia. Não há como não se comover e revoltar diante da falta de leitos, do atraso na vacinação e principalmente do empenho em dificultar a vacinação massiva da população. Um verdadeiro escárnio.

O Paraná está enfrentando um momento muito delicado, tem fila grande de leitos hospitalares, em algumas regiões do estado já não tem mais internamento, tendo que os pacientes serem encaminhados para outras cidades. E por isso, o governador determinou Lockdown por 9 dias no Paraná. Decisão necessária e inevitável diante do colapso na Saúde, é preciso que todos os prefeitos compreendam essa situação e colaborem, seguindo o mesmo caminho que tem como objetivo, salvar vidas e evitar que as pessoas comecem a morrer em casa, sem atendimento médico.

Há um ano era confirmado o primeiro caso da COVID-19 no Brasil. Isso aconteceu após alguns meses da descoberta da doença no Oriente, tempo suficiente para que o governo brasileiro tivesse uma política de antecipação e combate ao vírus, especialmente nos aeroportos internacionais. Porém, como sabemos, não aconteceu.

Desde o início da pandemia vemos o governo federal desdenhar de autoridades da Saúde e de fatos científicos, buscando promover o negacionismo e desinformar a população de forma cruel e irresponsável. No Paraná, apensar de não enfrentarmos uma situação de questionamento da Ciência, faltou solidariedade e foram escassas as políticas para garantir direitos básicos para a população.

A situação que vivemos é muito grave, a realidade poderia ser outra, caso tivesse existido preocupação e vontade política para organizar estratégias e logística de amparo à população, em especial a mais pobre, que é quem mais sofre com a pandemia. É verdade que o vírus não vê cor, credo ou classe social, porém, são as condições de vida do infectado que influem sobre o acesso aos serviços de saúde, de informação, de higiene e até à possibilidade de distanciamento e isolamento social, que são recomendações da OMS.

Não podemos ignorar grande parte dos brasileiros e brasileiras não podem executar seu trabalho de casa. Assim como, o elevado número de trabalhadores informais e autônomos não têm condições de ficar sem trabalhar. Há também, uma significativa parcela da população que não têm acesso a saneamento básico, ou sequer podem se distanciar dos familiares caso algum deles esteja contaminado. Isso porque muitos brasileiros e paranaenses vivem em aglomerados urbanos, em condições insalubres e que impedem que essas pessoas consigam se proteger da contaminação. Além disso, existem àqueles que sequer tem onde se refugiar, que é o caso das pessoas em situação de rua.

Essa reflexão é fundamental para que a gente compreenda a importância do auxílio emergencial e de sua desburocratização, o fato de que muitas pessoas não conseguiram acessar o benefício por falta de tecnologia, por problemas com documentos e/ou problemas com o próprio sistema. A luta pelo auxílio emergencial a nível federal, e por outras políticas a nível estadual, como suspensão do pagamento e corte dos serviços de água, luz e gás, foi de grande importância para a população. Porém, infelizmente, estas políticas chegaram ao fim antes do fim da pandemia.

A situação que vivemos foi naturalizada, uma naturalização incitada pelo próprio presidente da República, vemos aglomerações, vemos o fim do auxílio emergencial e outras alternativas de proteção, vemos a negação da Ciência e agora vemos e vivemos também o pior momento da pandemia. Resultado de fatores que foram determinantes para chegarmos nessa situação catastrófica. Recorde de óbitos, de contaminações, filas para leitos hospitalares, falta de insumos, de equipamentos. Um verdadeiro colapso no Sistema de Saúde, aliás, o Brasil só aguentou o que aguentou até agora devido ao SUS, que é o maior Sistema de Saúde Público do mundo. Em um país tão desigual, se as pessoas não tivessem condições de pagar por atendimento, estaríamos enfrentando uma situação ainda pior, se é que é possível dizer isto.

É hora de, mais do que nunca, somar forças para enfrentarmos essa situação, driblar as diferenças e pensar no que nos é comum, a vida. Sem cair na narrativa equivocada de que precisamos primeiro salvar a economia, de criticar Lockdown. Não há como criticar, apesar de duro, de difícil, os hospitais estão trabalhando com lotação máxima, não podemos fingir não enxergar o que está diante de nossos olhos. Não existe economia sem vidas e não existem vidas sem saúde. Investir na saúde, na proteção dos cidadãos, é investir na economia também.

*Arilson Chiorato é Deputado Estadual, Presidente do PT – Paraná e Mestre em Gestão Urbana pela PUC-PR. Coordenador da Frente Parlamentar sobre o Pedágio.