8 de Março: Mulheres do MST realizam ato em frente à Camil contra aumento do preço do arroz

Brasil de Fato – No amanhecer desta segunda-feira (8), mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram uma ação de denúncia contra o preço elevado do arroz em frente à empresa Camil, na zona oeste da cidade de São Paulo. Elas também pediram o aumento do auxílio emergencial, a saída do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a vacinação para todos

O ato faz parte da Jornada de Luta do 8 de Março, do Dia Internacional da Mulher, que tem ocorrido nesta segunda-feira em todo o país, com o lema “Mulheres Pela Vida, Semeando Resistência Contra a Fome e as Violências”.

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A ação teve início aproximadamente às 6h da manhã e contou com a participação de cerca de 20 mulheres que ergueram bandeiras com dizeres, como: “A ordem é ninguém passar fome” e “O preço do arroz é um roubo”. Elas também distribuíram panfletos e pacotes de arroz orgânicos aos trabalhadores que passavam pela região.

Segundo pesquisas do Mercado Mineiro e do app Com Oferta, entre novembro de 2019 e outubro de 2020, o preço médio do arroz, um pacote de 500g, subiu 57,4%, de R$ 14,25 para R$ 22,43.

Nas palavras de Cássia Bechara, coordenadora do Coletivo de Relações Internacionais do MST, além de denunciar o aumento no preço dos alimentos e quanto o agronegócio tem lucrado neste momento de pandemia em detrimento da população brasileira, o movimento também quis mostrar que “a produção da reforma agrária ainda é a solução para a fome do povo brasileiro”.

2020: alta 80% na venda de arroz
Entre janeiro e agosto de 2020, produtores de arroz venderam US$ 407,2 milhões em grãos, segundo o Ministério da Economia, indicando uma alta de 81,4% em relação ao mesmo período de 2019.

“Enquanto a Camil está cobrando uma fortuna pelo arroz e lucrando uma fortuna em cima da fome do povo, a gente veio distribuir o arroz produzido nas áreas da reforma agrária para provar que a reforma agrária é a solução para a fome do povo brasileiro”, afirma Bechara.

A coordenadora ainda avalia que a pandemia e o fim do auxílio emergencial potencializaram esse cenário: “muita gente não tem o que colocar na panela. Não tem mais como comprar alimento. O gás subindo, o auxílio diminuindo. Isso uma hora vai explodir. O que está segurando o povo ainda é a pandemia”.

Trabalhadores que passavam pelo ato manifestaram apoio às denúncias. O autônomo Antônio Silva afirmou que considera “justa” a manifestação devido ao aumento generalizado dos preços.

“Tudo está girando em torno do combustível. A gasolina sobe e aí tudo acompanha. Estamos tendo um aumento de gasolina por dia, então está difícil para a gente viver dessa forma. Eu acho justo manifestações que denunciam essa condição que estamos vivendo. Se todo mundo fizesse isso, alguma providência eles tomariam. Mas como a minoria faz isso, não resolve nada”, afirmou o trabalhador.

Empresa Camil
Entre 2019 e 2020, as ações da Camil valorizaram 92%, de acordo com a revista Dinheiro Rural, que elegeu a produtora como “Empresa do ano” em 2019.

No entanto, o MST acusa a Camil de ter “as mãos manchadas de sangue”, isso porque em 2015 um trabalhador foi soterrado em em um silo de armazenamento de grãos. No total, entre 2009 e 2020, foram 125 mortes nas empresas do ramo por sufocamento em silos de grãos.

Mais denúncias
A Camil se originou no Rio Grande do Sul, com a família Quartiero, e hoje possui 12 plantas no Brasil, três no Chile, duas no Peru, nove no Uruguai e uma na Argentina. Um dos integrantes da família, Paulo César Quartiero, se elegeu deputado federal em 2010 passando a fazer parte da bancada ruralista.

Segundo o MST, Paulo César está “relacionado à grilagem de terras para produção de arroz na Ilha do Marajó, e também está envolvido com uma invasão à missão religiosa do Surumu, em Roraima, em janeiro de 2004, onde foram sequestrados três padres”.

Em 2017, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) aceitou uma denúncia contra Paulo César por uma suposta tentativa de homicídio com uso de armas de fogo e de bombas caseiras contra indígenas da Comunidade Renascer, em Roraima, em maio de 2008, durante um processo de demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol. Ele chegou a ser preso por poucos dias.

O Brasil de Fato entrou em contanto com a Camil para que se manifestasse sobre as denúncias, mas a empresa não respondeu.