Requião Filho: Como as coisas funcionam

Por Requião Filho*

Ao acompanhar as eleições do Senado e da Câmara Federal nesta última segunda-feira, ficou evidente a precarização da qualidade dos nossos representantes em Brasília. Percebi um amontoado de erros, falta de estratégia, uma vaidade extrema e, inclusive, erros amadores, como perda de prazos para homologação de chapas.

As coisas funcionam assim, quando se elege gente que não tem compromisso com a população, eles se unem em torno de projetos pessoais, se vendem a troco de emendas e cargos valiosos no governo. Cada um preocupado com o próprio umbigo e cada vez menos com o povo que o elegeu.

Mas então como convencer um deputado a votar a favor dos interesses sociais e coletivos, se ele depende do Executivo para aprovar suas emendas? Como driblar esse impasse se os amigos do rei conseguem mais recursos para suas cidades, independentemente da qualidade dos projetos? E pior, como confiar em deputados que antes da eleição acertam a divisão de cargos na mesa, respeitando a proporcionalidade, mas depois de eleitos cancelam a chapa adversária? Isso é democracia? Vontade do povo?

Não é muito diferente do que acontece no Paraná. De maneira semelhante ao governo Bolsonaro, o governador Ratinho Junior controla seus deputados com seu poder de emendas e cargos, garantindo a aprovação de toda e qualquer lei que lhe passe pela cabeça. Até a mais vaga ideia tola é aprovada sem debate, cheia de erros, puramente para mostrar quem manda no picadeiro.

Um ótimo exemplo é o do pedágio aqui no Estado, que ainda será pautado. Vocês têm dúvidas de que o governador fará de tudo para aprovar o modelo combinado por ele em Brasília? Para eles não importa o que é melhor para o Estado e para os paranaenses, basta dar lucro.

A velha política, travestida de nova, utiliza sempre dos mesmos artifícios para fazer valer a sua vontade.

*Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.