Professores reafirmam greve contra volta às aulas presenciais sem vacinação no Paraná

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  • Pais, Mães e Estudantes são contra retorno das aulas presenciais sem segurança, diz APP-Sindicato
  • Os educadores reafirmaram nesta sexta-feira (5) que não voltarão às aulas pelo sistema presencial ou híbrido sem a vacinação em massa. O governo do Paraná anunciou o retorno para o dia 18 de fevereiro. No entanto, professores e funcionários de 2,1 mil escolas apontam risco de um novo surto. Diante do impasse, o magistério vai deflagrar greve por tempo indeterminado em defesa da vida.

    O Paraná é um dos estados que menos recebeu doses de vacina na região Sul e, contraditoriamente, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), que pode votar uma lei obrigando os educadores a darem aulas presenciais, irão manter as sessões virtuais com medo da infecção pelo vírus. Ou seja, os parlamentares cogitam empurrar para a morte milhares de educadores, pais e familiares que sabidamente são do grupo de risco.

    Na noite desta quinta-feira (4), a APP-Sindicato, juntamente com estudantes, pais e mães e responsáveis, debateu o retorno das atividades presenciais a partir do modelo híbrido apresentado pelo governador Ratinho Junior (PSD). No encontro que reuniu mais de 200 pessoas de forma virtual, os participantes enfatizaram a preocupação com o retorno das aulas presenciais, principalmente por conta da atual situação da pandemia causada pelo Covid-19 no Paraná.

    A reunião convocada pelo Sindicato, em parceria com a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) e a Federação de Pais, Mães ou Responsáveis Legais de Alunos e Alunas das Escolas Públicas do Estado do Paraná (FEPAMEF-PR), dialogou com os presentes sobre os ataques do governador Ratinho. Foi apresentada também a resolução Nº 0098/2021, a qual estabelece o retorno das atividades presenciais com modelo híbrido e medidas de prevenção e monitoramento da COVID-19 em unidades educacionais públicas e privadas no Estado.

    O presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, solicitou o apoio de pais, mães, responsáveis e estudantes na luta pela pauta e destacou que não é o momento de retorno das atividades presenciais e essa medida irresponsável de Ratinho Junior pode colocar a vida e a saúde de muitos pais, estudantes e educadores. “O retorno das aulas apresenta um risco para a comunidade escolar e não condiz com a atual realidade do estado, que sofre com a pandemia de forma intensa. Não podemos ameaçar a vida dos nossos estudantes e familiares nessa proposta nefasta”.

    Taís Carvalho, presidenta da Upes, enfatiza ainda que os estudantes querem sim o retorno das atividades presenciais, mas desde que este seja feito após a vacinação da população, garantindo assim a segurança dos familiares, professores e funcionários de escola. “O retorno às aulas não é só voltar à escola. Tem muitas outras situações que implicam riscos para todos. Um exemplo é o Enem deste ano, onde presenciamos aglomerações, irresponsabilidade e erros por parte do MEC. Isso é só uma representação de como os governos vêm tratando a educação”, explica a estudante.

    Já Terezinha Maciel, mãe e representante da FEPAMEF-PR, aponta que mesmo que os protocolos sejam aplicados dentro das escolas, existe ainda o risco fora das unidades, já que estudantes estão expostos a pegar transporte ou gerar aglomerações. “Vai haver aglomeração nos terminais rodoviários, vai haver aglomeração em ônibus. Nossos jovens não estão preparados para enfrentar esta pandemia cruel e que tem ceifado vidas de milhares de pessoas. Não podemos terceirizar esta responsabilidade para os pais, o governo deve ter a responsabilidade de gerenciar esse retorno com segurança”.

    A partir da reunião, a APP-Sindicato manterá sua mobilização contra o retorno das atividades presenciais, além de recorrer no Ministério Público do Paraná (MP-PR) e no Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) contra a medida. O Sindicato solicita ainda que pais e responsáveis auxiliem os educadores visitando as unidades de ensino e denunciando as condições das escolas públicas.

    Ratinho transfere responsabilidade sobre retorno das aulas a pais, mães e direções de escolas

    A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), publicou na última quarta-feira (3), a resolução Nº 0098/2021, que estabelece o retorno das atividades presenciais com modelo híbrido e medidas de prevenção e monitoramento da COVID-19 em unidades educacionais públicas e privadas no Estado. A direção estadual da APP-Sindicato enfatiza que é contrária ao retorno das aulas sem que haja a vacinação e testagem para conter o avanço do vírus no ambiente escolar.

    Além de conter contradições em relação à frequência de profissionais e estudantes do grupo de risco, a resolução coloca toda a responsabilidade do cuidado com a disseminação e controle do vírus sobre os educadores, pais, mães e direções escolares.

    O ponto mais grave da resolução é o Artº 87, que indica que “O descumprimento das determinações contidas nesta Resolução constitui infração sanitária e ensejará as penalidades civil e penal dos agentes infratores”, culpabilizando assim as direções escolares, uma vez que recai sobre as instituições de ensino, a adoção das medidas previstas na resolução.

    A resolução prevê ainda que a responsabilidade do transporte e eventual contágio do estudante será dos pais, que deverão assinar um termo, se colocando como cientes dos riscos de contaminação e transmissão do vírus por parte de seus filhos.

    Já sobre as medidas em relação aos sinais e sintomas, fica exposta a gravidade da situação sanitária e a incompatibilidade, ausência de razoabilidade entre o que está sendo proposto e a realidade das instituições e do cenário da pandemia.

    O Presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, aponta que as escolas não estão em condições de receber estudantes, pais e responsáveis, professores funcionários de escola para as aulas presenciais. “Essa medida do governo é uma irresponsabilidade e coloca em risco a vida e a saúde da comunidade escolar. Por isso, reforçamos nossa posição contrária à retomada das atividades presenciais neste momento, em que a pandemia continua grave. Queremos, sim, o retorno, mas com segurança para todos”, enfatiza Hermes.

    O Sindicato destaca que encaminhará um Ofício à Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed) e também o Ministério Público Estadual (MP-PR), questionando o cumprimento de todas as medidas antes do início do ano letivo, ressaltando também a necessidade de manter o ensino remoto/teletrabalho.

    Governo do Paraná esconde falta de estrutura nas escolas para receber volta às aulas

    Professores são coagidos a não denunciar o descaso pelas redes sociais

    O governo do Paraná decretou a retomada das aulas para o dia 18 de fevereiro na rede pública estadual. Os estudantes poderão optar entre as aulas presenciais ou remotas, já os profissionais da educação não.

    Segundo a Seed – Secretaria de Estado da Educação e do Esporte – haverá medição de temperatura na entrada das escolas, uso obrigatório de máscara, distanciamento social respeitado e as salas de aula devem receber, em média, algo entre 8 a 10 alunos.

    Enquanto os protocolos sanitários são prometidos, a real situação de muitos colégios é de abandono. O Colégio Estadual São Pedro Apóstolo teve salas de aula fortemente danificadas e parte do telhado destelhado, segundo a direção do colégio, pelo Ciclone Bomba, no dia 5 de junho de 2020.

    Após fazer a denúncia com fotos que foram replicadas nas redes sociais, a professora Sonia Terezinha Dalpissol foi chamada pela direção do colégio e acusada de infringir o Estatuto do Servidor. Foi pedido à professora que apagasse a denúncia publicada no Facebook do Núcleo Sindical Curitiba Sul da APP Sindicato.

    As fotos mostram parte do piso solto e com buracos, infiltrações e mofo no forro e nas paredes e um ambiente totalmente inadequado para receber estudantes.

    “Além de saber que eu não fiz nada errado, que eu estou no meu direito legal, que a Constituição Federal me garante esse papel de poder denunciar aquilo que eu vejo que está errado, eu tenho a dizer que quem está infringindo a lei é o governo do Estado que não cuidou do patrimônio público”, disse a professora.