Oito deputados disputam a presidência da Câmara nesta segunda-feira

Daqui a pouco, por volta do meio dia, a movimentação no Congresso Nacional se intensificará com a eleição, quando blocos se formarão para concorrer aos comandos da Câmara e do Senado para o biênio 2021-2022.

A peleja na Câmara chama mais atenção porque tem oito candidatos disputando a presidência. No entanto, as candidaturas mais fortes são as de Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia, e Arthur Lira (PP-AL), do Centrão, adotado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Vence no primeiro turno o candidato que somar 257 votos. A maioria simples bastará num eventual segundo turno.

Além disso, a eleição na Câmara promete fortes emoções –inclusive porque tem a promessa de Maia de abrir todos os processos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

A seguir, veja quem é quem na disputa pela Câmara:

Alexandre Frota (PSDB-SP)

Apoios – Candidatura avulsa
Dados pessoais – Alexandre Frota de Andrade, natural do Rio de Janeiro (RJ), 57 anos, casado e três filhos
Escolaridade – Ensino médio
Profissão – Ator, diretor e produtor de TV
Redes sociais (até o último dia 27) – Instagram (111 mil seguidores), Facebook (26,5 mil) e no Twitter (6 mil)
Trajetória – Parlamentar de primeiro mandato, Frota se elegeu pelo PSL em 2018 com 155.522 votos — foi o 16º mais votado. Era um dos principais defensores do presidente Jair Bolsonaro, à época filiado ao mesmo partido. Depois, dizendo-se “decepcionado” com Bolsonaro, passou a criticá-lo abertamente e foi expulso do partido em agosto de 2019. Dias depois, se filiou ao PSDB, onde está desde então.
Atuação parlamentar – Frota é autor ou coautor de 301 propostas que tramitam na Câmara, como um projeto que obriga deputados e senadores a se vacinarem contra a Covid-19 para “dar exemplo” à população. Foi relator da proposta aprovada que determinou o pagamento do auxílio emergencial a atletas e profissionais ligados ao esporte. Titular da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, Frota causou polêmica em audiência pública em 2019 ao dizer que três assessores de Bolsonaro formam uma “milícia digital” divulgando conteúdo falso em redes sociais. Na ocasião, apoiadores do presidente contestaram as afirmações e houve bate-boca.
Bandeiras de campanha – Defende uma Câmara independente em relação ao Executivo e a abertura de processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.
Posição em relação ao governo – Oposição. Ativo nas redes sociais, Frota faz críticas ao presidente da República e seus aliados.

Arthur Lira (PP-AL)

Apoios – PP, PL, PSD, Republicanos, Avante, Pros, Patriota, PSC, PTB e PSL.
Dados pessoais – Arthur César Pereira de Lira, natural de Maceió (AL), 51 anos, casado e cinco filhos
Escolaridade – Formado em direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Profissão – Empresário, advogado e agropecuarista
Redes sociais (até o último dia 27) – Instagram (39,4 mil seguidores); Twitter (37,6 mil) e Facebook (20,3 mil)
Trajetória – Atualmente no PP, foi filiado ao PFL (atual DEM), PSDB, PTB e PMN. Filho do ex-senador Benedito de Lira (PP), iniciou a carreira política como vereador em Maceió, em 1993, mandato que exerceu por duas legislaturas. Foi deputado estadual em Alagoas de 1999 a 2011. Desde então, é deputado federal. Em 2018, foi o segundo mais votado de Alagoas, com 143.858 votos.
Atuação parlamentar – Foi seis vezes líder do PP na Câmara. Também comandou um bloco que, no ano passado, contava com mais de 200 parlamentares de partidos do “Centrão”, além do MDB e do DEM. Em 2015, foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Em 2016, comandou a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional. Os dois colegiados são espaços de prestígio no Parlamento — pela CCJ, passam todas as propostas em tramitação na Câmara; a CMO é responsável por definir as despesas prioritárias do governo federal. Lira é autor ou coautor de seis projetos transformados em lei. O mais recente altera o Código Penal e trata de denunciação caluniosa. Pelo texto, denúncia falsa que originar investigação criminal do Ministério Público contra alguém sabidamente inocente também poderá ser punida.
Bandeiras de campanha – Diz que a pauta de votação será definida em diálogo com os líderes partidários. Na área econômica, defende a PEC Emergencial e as reformas administrativa e tributária.
Posição em relação ao governo – Aliado. No ano passado, foi um dos articuladores da aproximação do Planalto com o Centrão, que virou base aliada do governo na Câmara. Apesar de hoje estar alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, nem sempre foi assim. Em 2019, publicou em uma rede social que o governo precisava “entrar em sintonia com a real necessidade da população e deixar de lado a pauta de costumes e polêmicas”.

André Janones (Avante-MG)

Apoios – Candidatura avulsa.
Dados pessoais – André Luis Gaspar Janones, natural de Ituiutaba (MG), 36 anos, solteiro, sem filhos.
Escolaridade – Formado em Direito pela Universidade do Estado de Minas Gerais
Profissão – Advogado
Redes sociais (até o último dia 27) – Facebook (7,5 milhões de seguidores), Instagram (1,8 milhão) e Twitter (111 mil)
Trajetória – Parlamentar de primeiro mandato, foi o terceiro deputado federal mais votado de Minas Gerais, com 178.660 votos. Ficou conhecido nas redes sociais ao se tornar um “porta-voz informal” da greve dos caminhoneiros em 2018. Antes de ser político, segundo informações da Câmara, foi cobrador de ônibus (2003-2005), escrevente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (2005) e advogado.
Atuação parlamentar – É autor ou coautor de 25 propostas em tramitação, incluindo uma que proíbe a divulgação ao público de pesquisas eleitorais nos 15 dias anteriores ao pleito. Vice-líder do Avante na Câmara, integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o rompimento da barragem em Brumadinho. Sob sua relatoria, a Câmara aprovou em junho de 2019 um projeto que tipifica o crime de ecocídio, para punir responsáveis por desastres ambientais de grande proporção. Foi alvo de processo no Conselho de Ética, que acabou arquivado. A representação, de autoria do Solidariedade, foi aberta após ele ter dito em uma rede social que iria revelar os “canalhas” e os “vagabundos” da Câmara, em uma crítica aos colegas favoráveis ao projeto de abuso de autoridade.
Bandeiras de campanha – Afirma que sua candidatura não nasce de “conchavos” e “acordos políticos”. Diz que, se eleito, vai pautar a volta do auxílio emergencial na primeira sessão do ano.
Posição em relação ao governo – Independente. Foi alvo de críticas indiretas de Bolsonaro em uma transmissão ao vivo e, em resposta,divulgou nota dizendo que não responderia “com ódio nem com ataques pessoais” e que “não é inimigo do presidente”. Disse que atua de forma independente, sem se vincular “a qualquer governo ou partido político”.

Baleia Rossi (MDB-SP)

Apoios – PT, MDB, PSB, PSDB, PDT, Cidadania, PV, PCdoB, Rede e Solidariedade
Dados pessoais – Luiz Felipe Baleia Tenuto Rossi, natural de São Paulo (SP), 48 anos, casado, três filhas
Escolaridade – Formado em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp)
Profissão – Empresário
Redes sociais (até o último dia 27) – Facebook (160,4 mil seguidores), Twitter (35,6 mil) e Instagram (25,9 mil)*
Trajetória – É filho de Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Eleito pela primeira vez aos 20 anos, foi vereador em Ribeirão Preto (SP) por três mandatos (1993 a 2003). Ocupou o cargo de secretário de Esportes (1998) na cidade. Foi deputado estadual de 2003 a 2015. Em 2011, assumiu a presidência do MDB em São Paulo e atualmente é o presidente nacional do partido. Está no segundo mandato como deputado federal. Em 2018, foi o 11º mais votado do estado de São Paulo, com 214.042 votos.
Atuação parlamentar – É autor ou coautor de 45 propostas em tramitação, entre as quais uma das reformas tributárias em discussão no Congresso. Foi um dos autores do projeto conhecido como “pacote anticrime”, que fez alterações no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de Execuções Penais. É líder do MDB na Câmara desde 2016. Foi titular da CCJ (2018-2019). No ano passado, foi relator do projeto que se tornou lei para determinar o repasse pela União de R$ 2 bilhões às santas casas e hospitais filantrópicos para ações de combate ao coronavírus.
Bandeiras de campanha – Defende independência da Câmara em relação ao Planalto. Considera a PEC da reforma tributária prioritária e quer reforçar o Bolsa Família ou renovar auxílio emergencial, mantendo o teto de gastos.
Posição em relação ao governo – Independente. É candidato de um bloco que une partidos de oposição e centro-direita e é o principal adversário de Arthur Lira, nome apoiado por Bolsonaro.

Fábio Ramalho (MDB-MG)

Apoios – Candidatura avulsa.
Dados pessoais – Fábio Augusto Ramalho dos Santos, natural de Brasília (DF), 59 anos, solteiro, sem filhos
Escolaridade – Direito pela Fundação Educacional Nordeste Mineiro (Fenord)
Profissão – Empresário
Redes sociais (até o último dia 27) – Facebook (51,3 mil seguidores), Instagram (4,9 mil) e Twitter (92 seguidores)
Trajetória – Está no quarto mandato como deputado federal. Em 2018, foi eleito pelo MDB com 63.149 votos, o 41º deputado eleito para a bancada mineira. Antes de entrar no Legislativo, foi prefeito de Malacacheta, em Minas Gerais, pelo PTB (1997-2004). Também já foi filiado ao PMB.
Atuação parlamentar – Foi vice-presidente da Câmara entre 2017 e 2018. Em 2019, concorreu à presidência da Câmara e recebeu 66 votos. Foi coordenador da bancada de Minas no Congresso e atualmente é um dos vice-líderes do MDB.No ano passado, foi relator e um dos principais articuladores do projeto que cria o Tribunal Regional Federal da sexta região (TRF-6) com sede em Minas Gerais. Atualmente, 22 propostas de sua autoria ou coautoria tramitam no Legislativo. Um de seus projetos, por exemplo, obriga comerciantes a disponibilizarem ao Procon, com 15 dias de antecedência, a lista de preços aplicados em datas anunciadas com promoção. Até o momento, nenhuma proposta de sua autoria se tornou lei.
Bandeiras de campanha – Defende uma “agenda forte de retomada de crescimento” e diz que a reforma tributária é o “pontapé inicial” para o desenvolvimento econômico. Para ele, a pauta deve focar no combate à Covid-19.
Posição em relação ao governo – Independente, mas com relação de proximidade com o Planalto. Em agosto, por exemplo, organizou um “almoço mineiro” para o presidente, ministros e lideranças do Centrão.

General Peternelli (PSL-SP)

Apoios – Candidatura avulsa.

Dados pessoais – Roberto Sebastião Peternelli Junior, natural de Ribeirão Preto (SP), 66 anos, casado, quatro filhos.

Escolaridade – Formado na Academia Militar das Agulhas Negras, graduou-se em administração de empresas pela Universidade Gama Filho (RJ). Tem mestrado e doutorado.

Profissão – Militar, administrador e professor

Redes sociais (até o último dia 27) – Facebook (118,5 mil seguidores), Twitter (14,6 mil) e Instagram (4,4 mil)

Trajetória – Ingressou no Exército em 1970 e ocupou diversos postos de comando. Integrou a Missão da ONU no Haiti em 2005 e foi secretário-executivo no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, em 2012. Elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2018 com 74.190 votos — foi o 60º mais votado.

Atuação parlamentar – Está no primeiro mandato como deputado federal. Assim que assumiu, no início de 2019, disputou a eleição para a presidência da Câmara. Obteve apenas dois votos e ficou em último lugar. Foi um dos vice-líderes do PSL na Câmara. Entre as propostas de sua autoria, há uma de emenda à Constituição que propõe a cobrança de mensalidade pelas universidades públicas. Uma das proposições das quais é coautor acabou transformada em lei e libera o uso de medicamentos para o combate à Covid-19.

Bandeiras de campanha – Defende participação mais efetiva dos deputados na discussão dos projetos que são colocados em pauta. Na avaliação dele, as decisões ficam nas mãos de um grupo restrito de líderes e presidente da Câmara.

Posição em relação ao governo – Embora se declare independente, tem postura próxima ao Planalto e evita fazer críticas ao presidente Bolsonaro.

Luiza Erundina (PSOL-SP)

Apoios – PSOL.
Dados pessoais – Luiza Erundina de Sousa, natural de Uiraúna (PB), 86 anos, solteira, sem filhos.
Escolaridade – Graduação em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestrado em Ciências Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
Profissão – Assistente social.
Redes sociais (até o último dia 27) – Facebook (406 mil seguidores), Instagram (380 mil) e Twitter (272 mil seguidores)
Trajetória – Em 1958, assumiu seu primeiro cargo público como secretária de Educação de Campina Grande (PB). Nos anos 1980, participou da fundação do PT. Foi eleita vereadora de São Paulo (1983-1987), elegeu-se deputada estadual (1987-1988) e tornou-se prefeita de São Paulo em 1989, primeira mulher a governar a capital. Foi ministra da Secretaria da Administração Federal do governo Itamar Franco, em 1993. Atualmente no sexto mandato, assumiu como deputada federal em 1999, pelo PSB, e se filiou ao PSOL em 2016. Em 2018, foi a 13ª deputada federal mais votada em São Paulo, com 176.883 votos. Em 2020, foi candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Guilherme Boulos (PSOL). A dupla chegou ao segundo turno, mas perdeu para Bruno Covas (PSDB).
Atuação parlamentar – O foco dos seus projetos é a defesa da mulher, de crianças e adolescentes, cultura e direitos humanos. Entre as propostas de sua autoria ou coautoria, 13 foram incluídas na legislação, como uma emenda constitucional que incluiu o transporte como direito social e outra que dispôs sobre medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. De 2015 a 2017, foi suplente de secretário da Mesa Diretora, órgão responsável pela administração da Câmara.
Bandeiras de campanha – Defende prorrogação do auxílio emergencial e fim do teto de gastos públicos. Também diz que pretende aceitar pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.
Posição em relação ao governo – Oposição. Crítica de Bolsonaro, ela defende o afastamento do presidente.

Marcel Van Hattem (Novo-RS)

Apoios – Novo.

Dados pessoais – Marcel Van Hattem, natural de São Leopoldo (RS), 35 anos, solteiro, sem filhos

Escolaridade – Mestre em Ciência Política pela Universidade de Leiden, na Holanda, mestre em Jornalismo Internacional pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Profissão – Cientista político e jornalista.

Redes sociais (até o último dia 27) – Facebook (667,9 mil seguidores), Instagram (393 mil) e Twitter (369 mil)

Trajetória – Está no primeiro mandato na Câmara. Eleito com 349.855 votos, foi o deputado federal mais votado em 2018 no Rio Grande do Sul. Antes, foi vereador na cidade de Dois Irmãos (RS), entre 2005 e 2008. Também já foi deputado estadual no Rio Grande do Sul (2015-2018), nos dois mandatos eleito pelo PP.

Atuação parlamentar – No primeiro ano de mandato, liderou o partido na Câmara e, desde 2020, é vice-líder do Novo. É segundo vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Em 2019, foi titular da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. É a segunda vez que concorre à presidência da Câmara. Em 2019, recebeu 23 votos. É autor de 44 propostas em tramitação na Câmara. Um dos projetos, se aprovado, permitiria a recontratação de empregados demitidos em até 89 dias após a rescisão. A exceção valeria por até 18 meses após o estado de calamidade pública decretado durante a pandemia. Até o momento, nenhuma proposta de sua autoria foi transformada em lei.

Bandeiras de campanha – Defende que os líderes sejam ouvidos para definição da pauta. Entre as prioridades, cita as reformas tributária e administrativa, assim como privatizações e a PEC da segunda instância.

Posição em relação ao governo – Independente. Apesar da postura liberal e a favor de pautas de interesse do governo, como as privatizações, tem dito que sua candidatura representa uma “alternativa para a Câmara independente”.

Infográfico das candidaturas à Câmara

Oito deputados disputam a presidência da Câmara