O futuro do pedágio no Paraná, por Arilson Chiorato

Arilson Chiorato*

Após 25 anos, a concessão de pedágio feita pelo ex-Governador Jaime Lerner, está chegando ao fim. Porém, o que era para ser um alívio, está sendo uma grande dor de cabeça. O modelo apresentado pelo governo Federal e discutido somente com o governo estadual desde 2019, vai na contramão dos interesses do povo paranaense, visando inclusive criar 15 novas praças de pedágio e passando a 3.327 km de rodovias pedagiadas no Paraná.

A minha primeira ação como parlamentar foi um pedido da criação de uma Frente Parlamentar para debater o câncer econômico que é o pedágio no Paraná. Em 2020 a Frente foi instaurada e começamos as discussões sobre o contrato vigente, as obras que não tinham sido concluídas, os aditivos contratuais e muitas questões técnicas e políticas que um pequeno grupo pessoas não querem que alguém discuta.

No fim de 2020 fomos pegos de surpresa sobre uma proposta impositiva do Governo Federal, com aval do Governo do Estado sobre o novo pedágio do Paraná. Mas sem surpresa, o modelo garante toda a segurança para as concessionárias, terem lucros exorbitantes durante os próximos 30 anos, enquanto a população continuará pagando as tarifas mais caras do país.

Mas sabemos como eles agem, construíram uma justificativa de que as tarifas serão reduzidas. Se analisarmos superficialmente é verdade, porém, serão acrescidas 15 praças de pedágio às 27 já existentes e mais 800 km aos 2.505 existentes. É uma maquiagem, um engodo, uma mentira deslavada. A realidade é que o povo paranaense, caso esse modelo instituído, sofrerá com o impacto econômico pelas próximas 3 décadas. Pois, a conta não é apenas para quem utiliza as estradas para trabalhar ou à lazer, mas de todos os paranaenses, pois o preço do pedágio encarece os produtos e interfere no consumo.

Este modelo que NÃO foi discutido com os deputados e nem com a sociedade paranaense, terá duração maior do que o que está chegando ao fim. Serão 1.875 dias a mais de contrato do que o atual, que já parece uma eternidade. E o modelo prevê pontos praticamente camuflados, que garantem segurança às concessionárias, inclusive de aumentar em até 40% o preço das tarifas dentro de alguns anos.

Se isso for aprovado, o Paraná continuará tendo um dos pedágios mais caros, pois a maioria dos “descontos” que estão prometendo para as praças já existentes, não vão chegar a 30%. E há casos onde as concessionárias não entregaram as obras previstas em contrato, que serão pagas novamente pelo contribuinte para que o próximo contrato execute. O paranaense está sendo penalizado mais uma vez.

Não podemos deixar que isso aconteça, que o Governador com seu alto investimento em publicidade e marketing consiga enganar a população. Por isso a Frente Parlamentar sobre o Pedágio está fazendo Audiências Públicas em todas as regiões para debater mais este absurdo que querem nos fazer engolir.

Aproveito este espaço, esta coluna, para convocar a população paranaense a se conscientizar e o Governo do Estado a recusar este modelo proposto pelo Governo Federal. Este modelo quer definir os próximos 30 anos, não podemos aceitar a continuar pagando estes preços abusivos. Há outras experiências com tarifas baixas que estão sendo implantadas em outros estados, não podemos aceitar que o povo trabalhador continue pagando tarifas abusivas.

*Arilson Maroldi Chiorato é Deputado Estadual, Presidente do PT – Paraná e Mestre em Gestão Urbana pela PUC-PR. Coordenador da Frente Parlamentar sobre o Pedágio.