Facebook vai “despolitizar” o feed de notícias em 2022, diz Mark Zuckerberg

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Depois de derrubar alguns governos, ajudar fraudar eleições –a exemplo do “Brexit” no Reino Unido e no Brasil, com as fake news de Jair Bolsonaro, enfim, Mark Zuckerberg, promete agora um Facebook com feed de notícias “despolitizado” e longe dos golpes.

Apesar das primaveras árabes, a partir do final de 2010, que derrubaram governos como o do Egito, o Facebook não ajudou a criar um mundo melhor. Pelo contrário.

O discurso de ódio no Facebook desempenhou um papel fundamental no fomento da violência em Mianmar e, consequentemente, possibilitou o golpe militar no início de 2021.

O Facebook foi banido em diversos países na Ásia e na África porque, segundo autoridades locais, a aplicação de internet atenta contra o Estado nacional.

Mas agora, em recente teleconferência, Mark Zuckerberg disse que as pessoas não querem que conteúdo político assuma o controle de seu Feed de notícias.

A empresa do Vale do Silício disse que utilizará algoritmos para filtrar palavras-chaves sobre política. A experiência se iniciará no Canadá, Brasil, Indonésia e Estados Unidos.

No entanto, afirmou o Facebook, as informações do COVID-19 de organizações de saúde autorizadas, como o CDC e a OMS, bem como agências e serviços de saúde nacionais e regionais dos países afetados, estarão isentas desses testes. Conteúdo de agências e serviços oficiais do governo também estará isento.

Ou seja, portais de notícias poderão ser censurados pelos algoritmos do Facebook enquanto o discurso negacionista do governo Bolsonaro, por exemplo, continuará livre por meio da disseminação de notícias falsas.

Isso significa que alguns sites de notícias terão sua audiência afetada pela nova política da aplicação de internet.

Zuckerberg afirma, no entanto, que não está removendo conteúdo político do Facebook por completo. Segundo ele, o objetivo é preservar a capacidade das pessoas de encontrar e interagir com conteúdo político no Facebook, respeitando o apetite de cada pessoa no topo de seu Feed de notícias.

O Facebook assegura que nos EUA o conteúdo político representa apenas 6% do que as pessoas veem no feed de notícias, porém essa notícia pode afetar a experiência geral de alguém.

Em 2022, o Brasil terá eleições presidenciais. Será que o Facebook ficará mesmo de fora desse filão de mercado? O Blog do Esmael, particularmente, duvida disso.

Nós acreditamos que a empresa de Mark Zucerberg irá dar voz apenas para aqueles que têm dinheiro, isto é, eliminará os que não têm divisas e os deixará fora do contraponto. Haverá uma maior concentração das notícias políticas, o que é ruim para o acesso da informação –direito constitucional fundamental– e o Estado Democrático de Direito.