CUT: Lava Jato destruiu economia nacional, empregos e direitos

O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse em uma live do PT, na sexta-feira (12), que a Lava Jato destruiu cadeias econômicas nacionais para atender a interesses externos. O Dieese finaliza estudo sobre impactos negativos da força-tarefa nos últimos sete anos.

A perseguição movida contra Luiz Inácio Lula da Silva por membros do Ministério Público e do Judiciário, com apoio de veículos da imprensa corporativa, foi um ataque a toda classe trabalhadora e à economia do país, abrindo espaço para a demolição de direitos sociais operada a partir do golpe de 2016. Essa é uma das conclusões da Mesa Lula Livre ‘Pela recuperação dos direitos políticos de Lula’, realizada ontem.

Vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, que já presidiu a entidade, anunciou que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) finaliza um estudo sobre os impactos negativos da operação Lava Jato sobre a economia nacional.

“O estudo fala do crime enorme que a lava jato conduziu contra o Brasil, quebrando várias cadeias econômicas que contrariavam interesses dos Estados Unidos”, afirmou o líder sindical. “Com Lula e Dilma, o Brasil deixou de ser mais um para se tornar um grande disputador na economia mundial. O país tinha empresas nacionais públicas e privadas que concorriam com as internacionais, principalmente nos setores de petróleo, gás e construção civil”, elencou.

Agora, diz Freitas, a classe trabalhadora deve entender por que a restituição dos direitos políticos de Lula vai refazer uma parte da história brasileira que lhe foi retirada. “Nunca tiveram o menor interesse de passar o Brasil a limpo nem de discutir a corrupção. Pelo contrário: se utilizaram de práticas corruptas e ilegais para apagar o Lula da memória do povo brasileiro”, argumenta.

Segundo ele, “a prisão de Lula e sua retirada das eleições em 2018 criou essa aberração chamada Jair Bolsonaro, que é produto das elites brasileiras, da Globo e daqueles que trabalharam para criminalizar a política e dizer ao trabalhador que seu lugar não é disputando lugar na política, é vendendo barato a força de trabalho.”

Freitas afirma que Lula refutou esse raciocínio demonstrando que o trabalhador tem competência para governar e apresentando soluções para o Brasil que seus antecessores não conseguiram formular. “Dentro da ideia mesmo do capitalismo, é possível tirar o povo da miséria incluindo-o na economia e o transformando no ativo econômico do país. Lula fez não apenas política social, como política econômica, e isso as elites não aceitam”, prosseguiu.

Resgatar os legados de Lula
A importância para toda a classe trabalhadora de se restabelecer justiça ao legado de Lula é o motivo para a inclusão da palavra de ordem #Lula Inocente na campanha unificada movida pelas centrais sindicais por vacina para todos, a volta do auxílio emergencial e o Fora Bolsonaro. No próximo dia 22, as entidades promoverão uma grande carreata por todo o país para impulsionar a campanha. “Quando vencermos a pandemia, voltaremos para as ruas”, garantiu Freitas.

João Pedro Stédile, membro da coordenação nacional do MST e do comitê Lula Livre, lembrou que mais de 60 milhões de pessoas foram jogados na sarjeta, sem renda, emprego, trabalho e direitos de cidadão, desde o golpe de 2016.

“Estamos criando uma unidade entre todas as forças populares em torno da vacina, do auxílio emergencial com emprego e pelo Fora Bolsonaro, junto com a denúncia do que foi feito contra o PT e contra o Lula”, comentou. “Não apenas pela reparação dos direitos, mas também porque Lula é a expressão da liderança do nosso povo, ele é a síntese de outro projeto de país pelo qual estamos lutando há 40 anos”.

Luís Eduardo Greenhalgh, advogado e um dos fundadores do PT, lembrou as primeiras greves no ABC Paulista, e como Lula e dirigentes sindicais da época se recusaram a participar de uma farsa judicial urdida pela ditadura militar no final dos anos 1970, comparando-a com a farsa lavajatista deste século 21.

“O STF tem a obrigação de reconhecer a suspeição de Moro, a obrigação constitucional de dizer que os processos a que Lula foi submetido são ilegais e utilizaram provas ilícitas. De forma persecutória, o juiz se confundiu com a acusação, todas as partes envolvidas na investigação tinham acesso a todos os documentos, menos a defesa”, elencou Greenhalgh.

“Não foi para isso que lutamos contra a ditadura e redemocratizamos o país. A lava jato não foi justa nem legal, foi instrumento de perseguição política, e nós iremos até o fim para desagravar a história, o Lula e o PT. Vamos mostrar o que aconteceu de fato”, garantiu.

Carol Proner, professora da UFRJ e fundadora da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), ressaltou o esforço coletivo que envolveu pessoas de várias áreas do Direito na luta pela restituição dos direitos políticos de Lula. “É preciso restituir a confiança da sociedade no Poder Judiciário e no Ministério Público”, defendeu, lembrando, no entanto, que no Brasil há um sistema de Justiça classista, elitista e completamente desconectado do quadro social do país.

A advogada apoia as iniciativas no Congresso Nacional para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a lava jato. “Não podemos mais ter um modo de combater a corrupção que permita novas operações e forças tarefa com tanto poder”, defendeu. “A liberdade do Lula tem que ser associada a direitos para todos, comida na mesa, vida digna. A voltar a ter esperança no futuro, porque a desesperança gera um caldo de cultivo do autoritarismo e do ódio.

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