Auxílio emergencial: não é hora de reduzir gastos nessa guerra contra a covid-19

O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, estão brincando com a desgraça alheia ao condicionar a aprovação do auxílio emergencial à redução de gastos. Eles continuam a minimizar a guerra contra a covid-19, apesar de quase 240 mil mortos desde o início da pandemia.

O governo federal propõe quatro parcelas de R$ 250 enquanto a oposição bate o pé por R$ 600 mensais até o fim da pandemia.

A intenção Guedes e Bolsonaro é incluir uma cláusula de calamidade na proposta do Pacto Federativo, que, entre outras medidas, permitiria ao governo adotar medidas para cortar custos por meio de redução de salário e de jornada de servidores. Com a cláusula de calamidade, o governo poderia ficar autorizado a aumentar gastos públicos.

Em suma, Bolsonaro e Guedes tentam ganhar o Congresso Nacional para embutir esse “jabuti” no auxílio emergencial, isto é, realizar a reforma administrativa por meio de uma chantagem.

Até as emas do Palácio da Alvorada sabem que a reforma administrativa não passa no Congresso com discussão de peito aberto, por isso o governo tenta a chantagem contra os servidores –insistindo em colocar os mortos de fome contra os que têm fome.

A fórmula Guedes-Bolsonaro mantém intacto o pagamento de juros e amortizações da dívida interna, o que significa que os bancos terão seus ganhos preservados novamente em detrimento dos servidos públicos, que sofrem ameaça concreta de desmonte.

Em síntese, a proposta do governo consiste em 4 parcelas de R$ 250, ou seja, até junho, mas exige em contrapartida o desmonte do serviço público construído nos últimos 50 anos.

A redução de gastos numa guerra equivale a entregar-se ao inimigo, pois significa ficar sem munição, exército e mantimentos para o combate.

Bolsonaro e Guedes estão pedindo uma greve geral. Não se sabe porque, até agora, os trabalhadores e os sindicatos ainda não definiram isso.