Treta com a privatização derruba o presidente da Eletrobras

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A resistência ao processo de privatização da Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S/A) derrubou o presidente da companhia Wilson Ferreira Junior, que renunciou ao cargo alegando motivos “pessoais”. Ele irá deixar o cargo no próximo dia 5 de março, após período de transição, comunicou a empresa ao mercado. Ainda não há um substituto cuja tarefa principal seria vender o ativo [a preço de banana].

Na semana passada, os jornalões, a exemplo do Estadão, veicularam artigo defendendo mais celeridade na privatização da Eletrobras.

“A privatização da Eletrobrás é a resposta pragmática para viabilizar parte dos investimentos necessários para a expansão do setor elétrico e contribuir para resolver os problemas macroeconômicos do Brasil, agravados com a crise gerada pela pandemia”, publicou no sábado (23) o Estadão texto de Adriano Pires, que é diretor da ONG Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Papo furado, evidentemente. Houve privatizações de distribuidoras durante a gestão de Ferreira Junior, no entanto, as tarifas de energia elétrica dispararam e apagões foram verificados em várias partes do país [com destaque para Macapá]. O desinvestimento público na geração e distribuição de energia impede de o Brasil crescer no pós-pandemia.

A Eletrobras é responsável pela operação de cerca de um terço da capacidade de geração e metade da rede de transmissão de energia do Brasil. Não é de somenos, portanto.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pressionava o presidente da companhia para a privatização da Eletrobras –dentre o rol de outras oito empresas federais para serem vendidas este ano.

Desde o golpe de 2016, com a queda de Dilma Rousseff, os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro tentam –sem sucesso– a liquidação da Eletrobras. O Congresso é um dos principais entraves na venda da companhia, que sofre ataques de liberais e também foi atingida pela falecida Lava Jato. Tudo para cair seu preço de mercado e ser vendida na bacia das almas.

A Eletrobras é uma empresa que vem batendo recordes de lucros, mas, mesmo assim, o governo quer doá-la a preço de banana –como já faz criminosamente com as subsidiárias da Petrobras.