Nas vésperas da greve dos caminhoneiros, Petrobras aumenta de novo preços do diesel e da gasolina

O governo de Jair Bolsonaro não está nem aí para a ameaça de greve dos caminhoneiros, que planejam parar na próxima segunda-feira (1º) contra o preço dos combustíveis. Nesta terça-feira (26), com a anuência do mandatário, a Petrobras elevou de novo o preço da gasolina em 5% e do diesel em 4,4% nas refinarias.

A estatal de petróleo reajusta seus preços conforme a variação do dólar e a cotação internacional do petróleo enquanto os fretes são feitos em reais. Os profissionais da estrada tem como reivindicação principal o fim dessa indexação à moeda americana e à gangorra do mercado petrolífero.

Com o reajuste, o diesel passará a ser vendido às distribuidoras de combustíveis pela petroleira pelo preço médio de R$ 2,12 por litro e a gasolina de R$ 2,08 por litro. Mas para o consumidor final o preço é mais salgado.

Segundo tabela de preços do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), desta semana, o preço do óleo Diesel S500 e Diesel S10 pode variar entre R$ 3,60 e R$ 4,69 –dependendo da região.

A gasolina é vendida até R$ 5 o litro enquanto o gás de cozinha também pode alcançar R$ 100 o botijão de 13 kg.

O diesel não sofria um reajuste desde 29 de dezembro, quando foi elevado em 4%, apesar dos avanços do petróleo no mercado externo. Nesse período, o petróleo Brent, referência internacional, acumulou alta de mais de 9%.

Já a gasolina havia sofrido um aumento anterior, de quase 8%, em 19 de janeiro.

Apesar do reajuste, a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) afirmou que a companhia ainda está praticando preços muito inferiores ao mercado internacional, impedindo que companhias independentes realizem compras externas para abastecer o mercado.

“Os aumentos anunciados hoje pela Petrobras, para vigorar amanhã (27/1), ficaram muito aquém dos necessários para alinhamento aos preços internacionais como comprometido em TCC assinado com o Cade”, disse o presidente da Abicom, Sérgio Araujo, sugerindo que o pior ainda está por vir [mais reajustes nos combustíveis].

“Continuamos aguardando respostas da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ao pedido que fizemos por ofício para avaliação da conduta do agente dominante.”

A Abicom protocolou no início do ano ofício no Cade no qual acusou a estatal de práticas de valores de combustíveis “predatórias”.

A Petrobras reiterou em nota que seus preços têm como referência a chamada paridade de importação, impactada por fatores como os valores do petróleo e o câmbio, de acordo com comunicado enviado pela assessoria de imprensa.

O repasse dos reajustes nas refinarias aos consumidores finais nos postos não é garantido, e depende de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro e biodiesel.

A Petrobras disse ainda que, segundo dados do Global Petrol Prices, em 18 de janeiro, o preço médio ao consumidor de gasolina no Brasil era o 56º mais baixo dentre 166 pesquisados, estando 17,8% abaixo da média de US$ 1,05 por litro.

Já o preço médio de diesel ao consumidor no Brasil era o 42º mais baixo dentre 165 pesquisados, estando 26,7% abaixo da média de US$ 0,95 por litro.

Com informações da agência Reuters