Greve dos caminhoneiros ameaça derrubar o presidente Jair Bolsonaro

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A greve dos caminhoneiros pode ser apenas uma ameaça, mas a categoria se sente traída pela política neoliberal do presidente Jair Bolsonaro. Os caminhoneiros convocaram uma greve da categoria para a próxima segunda-feira, 1º de fevereiro.

O medo do Palácio do Planalto é que esse movimento se junte ao do impeachment articulado pela oposição.

Motivos não faltam para a paralisação dos caminhoneiros, aliás, mais graves que os de 2018. Os preços dos combustíveis, por exemplo, subiram ainda mais desde as manifestações que há dois anos bloquearam as estradas de todo o País.

Segundo tabela de preços do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), desta semana, o preço do óleo Diesel S500 e Diesel S10 pode variar entre R$ 3,60 e R$ 4,69 –dependendo da região.

A gasolina é vendida até R$ 5 o litro enquanto o gás de cozinha também pode alcançar R$ 100 o botijão de 13 kg.

Os valores dos combustíveis estão mais caros que 2018, quando esses preços abusivos deflagraram o movimento grevista.

O governo Bolsonaro manteve o sistema de reajustes de acordo com a variação cambial do dólar e da cotação internacional do petróleo. Ou seja, o caminhoneiro recebe os fretes em reais, mas é obrigado a abastecer na moeda americana.

‘Esse é o pior governo que o Brasil já teve’, disse à BBC News Brasil Wanderlei Alves, o Dedeco, líder da greve de 2018.

De acordo com Dedeco, que perdeu os três caminhões que tinha para a crise econômica, a greve dos caminhoneiros pode não acontecer porque uma parte da categoria ainda está muito apaixonada por Bolsonaro.

O ex-líder dos caminhoneiros acredita que os caminhoneiros irão afrouxar a tanga depois que o governo colocou esses profissionais entre os prioritários na vacinação e liberou a importação de pneus usados para o transporte de cargas.

Hoje, sem caminhões, Dedeco é dono em Curitiba de uma lanchonete –um dos setores também atingidos pela pandemia.